Tu nunca morrerás

Este desejo de união para além da morte, da passagem da comunhão terrena, corporal, à união eterna, foi bem expressa pelo poeta polaco Antoni Slonimski:Não ficaste no leito do hospital, imóvel,
esgotada, adormecida pela tua doença.
Não te foste embora, porque nada poderá separar-me
de ti e a ti de mim, quando enfim estiver contigo.
Até este momento cada coisa conta
só por metade e tudo é incompleto,
e me espera muita amargura
antes que tu em silêncio ponhas a tua morada em mim.
E, quando eu estiver finalmente junto de ti,
quando nos envolverem as heras do cemitério,
os teus olhos de novo cintilarão no escuro
reflectidos como num espelho no céu.
E naquela luz que se reverbera
fixada nas profundidades do firmamento,
uma vez mais comigo te levantarás do altar,
como então no rosto uma juvenil palidez.

 

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