Às Terças Com...

A morte de S. Estêvão

“A morte de S. Estêvão é apresentada como a morte de Jesus. O Rei dos Mártires continuará, no Corpo místico da sua Igreja, o mistério da sua própria Paixão. E à imitação do Senhor na Cruz, a Igreja, a começar por Estêvão, vai-se entregando a Deus em gesto de confiança no Pai e em oração, feita de amor pelos homens, a começar pelos que a perseguem.”

Aquilo que torna possível o martírio daqueles que a tal são chamados é a vocação ao amor consumada e vivida no quotidiano da própria existência. Afinal, nisto mesmo consiste, na verdade, a vocação à santidade, pois, vocação ao amor e vocação à santidade coincidem. Ou seja, o dom de Deus recebido à partida no baptismo, como vocação à santidade, conscientemente assumido, juntamente com o reconhecimento e a confissão da própria miséria, são, aliás, as condições indispensáveis para o florescimento de uma santidade do quotidiano. E, se o martírio acaba por ter lugar, ele é apenas a manifestação de uma santidade que, de certo modo, já acontecia no quotidiano.

O Papa Francisco, na vigília do domingo da divina misericórdia (II domingo da Páscoa), em visita à Comunidade de Santo Egídio na Basílica de S. Bartolomeu, em Roma, onde a história antiga do martírio se une à memória dos novos mártires, na Liturgia da Palavra em memória dos “Novos Mártires” dos séculos XX e XXI, afirmou “que a Igreja é Igreja se é Igreja de mártires”. E mais adiante acrescentou ainda: “E há também muitos mártires ocultos, aqueles homens e aquelas mulheres fiéis à força mansa do amor, à voz do Espírito Santo, que na vida de cada dia procuram ajudar os irmãos e amar Deus sem reservas”.

A liturgia de hoje e a narração do martírio de Santo Estêvão, nos Actos dos Apóstolos, neste tempo pascal, são para nós uma feliz ocasião para assumir que nos tempos que correm, como talvez em nenhum outro período da história da Igreja, nos encontramos num momento propício ao desafio da santidade e, muito particularmente, através do martírio, seja ele de sangue, seja através da oferta da própria vida, por amor, a Jesus Cristo e ao seu Evangelho.

Tal como se interrogava ainda Francisco na mesma ocasião: “De que coisa precisa hoje a Igreja? De mártires, de testemunhas, isto é, dos santos de todos os dias. Porque a Igreja é levada para a frente pelos santos. Os santos: sem eles, a Igreja não pode seguir em frente. A Igreja precisa dos santos de todos os dias, os da vida normal, levada por diante com coerência; mas também daqueles que têm a coragem de aceitar a graça de serem testemunhas até ao fim, até à morte”.

Con. Silvestre Ourives Marques

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