Às Terças Com...

Uma terra prometida

Nestes dias há milhares de pessoas a caminho de Fátima. [Bolhas nos pés. Dores musculares. Cansaço. Sede. Fome.]

Nestes dias há milhares de peregrinos a caminho de Fátima. [Entrega. Esforço. Confiança. Esperança. Procura. Agradecimento.]

Nestes dias há milhares de pessoas que dão apoio a quem peregrina para Fátima. [Dádiva. Alegria. Emoção. Serviço.]

Há neste momento milhares de pessoas a fugir das suas casas.
Há neste momento milhares de refugiados a caminho, não sabem de onde.
Há neste momento milhares de voluntários que dão apoio a quem foge da guerra, da tortura, da perseguição. Da morte.

Estamos a dias de receber a visita do Papa Francisco em Portugal e, mais do que pensar em Fátima, tenho pensado no mundo. Nas pessoas que, hoje em dia, precisam de deixar as suas casas, as suas famílias, as suas conquistas, para tentar salvaguardar a sua vida. Nas crianças que não podem ter infância, mas nos dão exemplos de fé. Nos jovens que não sabem se vão ter futuro, mas sorriem com fé. Nos adultos que vêem sonhos destruídos, mas encontram uma força avassaladora na sua fé. Nos idosos a quem não é permitido ter descanso, mas é impossível derrubar a fé.

Quantas vezes no nosso conforto e facilidade de vida, nos lembramos daqueles que andam à deriva no Mediterrâneo? Quantas vezes, ao chegarmos à mesa, pensamos naqueles que estão esgotados e não têm uma gota de água para beber? Quantas vezes, ao fim do dia, lembramos na oração da noite aqueles que são perseguidos por serem nossos irmãos em Jesus?

Falta-nos o tempo para sermos verdadeiramente membros deste Corpo que é a Igreja, ou chega-nos o tempo, mas não a disponibilidade para amar… e sofrer?
Estamos instalados, enquanto cristãos de ritos e discurso, ou procuramos ser cristãos de vida?

Olhemos para o Papa Francisco. Vejamos o seu exemplo de atenção e cuidado pelas periferias – as da Igreja e as da sociedade. Um testemunho vivo, que só nos pode lembrar que a Igreja foi instituída para nos guiar.

E unamo-nos às orações do Santo Padre, acompanhando o caminho daqueles que, sentindo-se perseguidos física e espiritualmente, buscam uma “terra prometida” – que podemos ser nós. Podes ser tu. Posso ser eu.

Helena Tirapicos da Rosa

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