Às Terças Com...

Este mundo está perdido!

Não, não é verdade. Este mundo não está perdido, anda simplesmente sem rumo. O homem, olhando à sua volta, é tentado por tantas solicitações, que não sabe como nortear-se nem como orientar-se. E não é por falta de bússola, quadrante, estrela polar e tecnologia do GPS – ótimos instrumentos quanto às coordenadas geográficas. É por falta de coordenadas da moral e do sentido da vida – e é nestes parâmetros que os homens andam sem rumo. Faltam critérios ao homem contemporâneo. Sem critérios, tudo é aceite como tendo valor igual, medido pelos gostos do momento. Assim, terão desaparecido os meios de se saber como encontrar os pontos cardiais, esses que assinalam os caminhos e iluminam o entendimento dos homens na prossecução dos objetivos que a dignidade exige.

Em linguagem metafórica, os pontos cardiais seriam um ótimo instrumento de moralidade total. Mas qual quê! Há pessoas que se norteiam em esquemas de corrupção. Criam as normas éticas com que revestem e justificam os próprios atos e comportamentos, ao gosto dos apetites. Outras, orientam-se em caminhos de interesses individualistas, recusam subordinar-se a qualquer autoridade moral ou cívica e acham que ninguém tem nada a ver com isso. Outras, encaixam-se no ocidente da degradação humana e derretem o que têm e o que não têm nas drogas, nos vícios, no álcool e em tudo o que mata o corpo e a alma. Outras, ainda, preferem os prazeres do sul, isto é, adaptam-se a uma vida de preguiça, de anarquismo, de subsidiodependência e de exigências dos direitos, com total oposição aos deveres. E é nesta linguagem metafórica de norte, oriente, ocidente e sul que se compreende a razão do título “este mundo está perdido”.

De facto, apesar de haver muita doutrina a elucidar-nos, há pouca gente a assimilá-la. A falha não está na referência, na persuasão e na capacidade que uns têm de influenciar os outros pela força do seu carisma ou por características pessoais. A falha está na falta de vontade em aceitar essas referências como boas, válidas e dignas de imitação. Não faltam mestres, pessoas dignas e educadores completos, líderes religiosos, várias personalidades políticas, trabalhadores profissionalmente exemplares, pais e mães de família e um sem número de individualidades carismáticas; mas volta-se-lhes as costas, liga-se-lhes pouco. Há um desinteresse acumulado.

Por todo o lado se ouvem queixas e desabafos de pais perturbados e tristes por verem que os filhos seguem caminhos opostos aos da educação que tiveram: «Tudo fizemos para educar os nossos filhos e, afinal, só fazem o que querem, mesmo ao contrário da educação que lhes demos». De facto a vida mudou. Entre o altruísmo e o individualismo, parece que o individualismo é que venceu. Com uma ética própria, nasceram outras referências, outros interesses, outros esquemas. Por isso, andam desorientadas as gerações mais idosas, interrogando-se sobre o que falhou na educação dos filhos; e andam desnorteadas as gerações mais novas, interrogando-se sobre o que ainda lhes falta, depois de terem resolvido os seus caprichos – tal a ânsia de saciarem o que lhes dá na gana e na vontade!

Cón. Manuel Maria

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