A PALAVRA AO NOSSO ARCEBISPO: O DIA MUNDIAL DA PAZ

Nós, os Cristãos de Évora, iniciamos o Novo Ano de 2019 com o compromisso de prosseguir com a Igreja Universal, em Portugal e na nossa Arquidiocese, com o Ano Missionário, respondendo assim ao desafio de sermos “todos e sempre” DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS, pois é a missão que faz a Igreja, uma vez que esta foi constituída por Cristo, para a Missão.

Convosco, caros Diocesanos desta Igreja de Évora, desejo reflectir na Mensagem do Papa Francisco para o 52º  Dia Mundial da Paz, intitulada: “A Boa Política está ao Serviço da Paz”. A pertinência e a oportunidade do tema escolhido pelo Sucessor de Pedro são óbvios, num momento complexo do mundo em que importa proteger a todo o custo a Paz e redescobrir a grandeza e o valor cristão da missão política, enquanto serviço, na actual Sociedade, nomeadamente entre nós portugueses, em ano de eleições.

Ao completarem-se os 70 anos sobre a Declaração dos Direitos Humanos, o Papa Francisco lembra aos DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS que «Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo», pois «Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de “artesãos da paz” que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.»

Ninguém deixa de assumir actos politicamente relevantes, mesmo quando se abstém, se alheia ou assume a máscara da indiferença; todas essas atitudes, à partida ditas de neutralidade e abstenção, podem ter possíveis leituras políticas e, por isso, são sempre atitudes politizáveis. Não convém deixar a nossa cidadania em mãos alheias, mas assumir sempre com discernimento e em plenitude de Liberdade, a cada momento, os nossos direitos e deveres cívicos. Os DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS sabem estender a sua missão também no âmbito da sua cidadania activa e participativa.

O Bispo de Roma lembra a todas as Igrejas e à Humanidade inteira que «A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Peguy: é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência.» Sabemos através de incontáveis e dolorosas narrativas históricas que iniciar a violência é fácil e frequentemente fruto de atitudes impensadas e primárias, porém terminar com a violência e com a guerra é tarefa dificílima e, por vezes, impossível aos humanos, ao ponto de concluirmos com as diversas religiões e gerações que “a Paz é Dom de Deus”. Fruto destas experiências, Francisco recorda-nos que a Paz é missão de todos: «Cada um pode contribuir com a própria pedra para a casa comum.»

O Sucessor de Pedro faz passar a edificação da Paz também pelos políticos e pelas políticas. Se a sementeira da Paz se processa primordialmente na educação dos corações humanos para a cultura da Paz, na qual a Igreja, as Famílias, a Escola e os Meios de Comunicação Social continuam a ter um papel relevante, mesmo na era do digital e das redes sociais, o Papa, sobretudo, sublinha, nesta sua Mensagem, a missão dos políticos, que eleva a uma grandeza humana sublime, quando afirma: «Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminentemente de caridade.»

É curioso que no contexto do ano 2019, em que os portugueses vão ser chamados a exercitar a sua cidadania através do voto, Francisco nos lembre: «Cada renovação nos cargos electivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida política constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito.»

Sem dúvida que “A boa política está ao serviço da Paz”, como intitula a sua Mensagem o querido Papa Francisco, por isso, sejamos todos cidadãos empenhados na sementeira de actos quotidianos dinamizadores de Paz. Que a reconciliação esteja sempre nos nossos horizontes de relacionamento humano e que o perdão faça parte da nossa gramática nas opções de vida. Que os Cristãos Católicos saibam dar sempre o primeiro passo nos caminhos do perdão. Em tempos de paz frágil, conquistemos diariamente este Dom, um imprescindível Bem Comum, com sensibilidade para a  humanização, espírito de serviço e respeito pelo diálogo e pela tolerância.

Para todo o Presbitério Eborense, Consagrados/as, Diáconos, Seminaristas, Famílias Cristãs, Jovens, Adolescentes e Crianças, a minha oração e os meus votos de abençoado ANO NOVO, repleto de Paz.

A Paz nos corações, na família, nas vizinhanças, nos diversos ambientes sócio-profissionais, eis alguns desafios à nossa identidade e acção, enquanto DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS!

+Francisco José Senra Coelho

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