Arcebispo de Évora preside à Solenidade da Epifania em Vendas Novas (Com Homilia)

O Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho, presidiu, no passado Domingo, dia 5 de Janeiro, à solenidade da Epifania, na Paróquia de Santo António, em Vendas Novas, que está a celebrar os 50 anos da construção da sua igreja.
A celebração, transmitida em directo pela TVI, foi animada pelo coro dos Arautos do Evangelho, que durante a tarde do mesmo dia e na mesma igreja interpretaram um Concerto de Natal, que contou com grande audiência.

Transcrevemos na íntegra a Homilia do Arcebispo de Évora na concelebração Eucarística:

 

“Nós vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O” (Mt 2, 2)

Celebramos hoje a Solenidade da Epifania, ou se preferirmos, como popularmente se designa, a Festa dos Reis Magos.

Não se trata de um conto infantil, abrangente também para adultos ainda capazes de se reencontrarem com a criança que levamos sempre na memória e no sonho de cada um de nós.

Os Magos são buscadores que se tornam testemunhas; eles ensinam-nos que se pode partir de muito longe para chegar a Cristo. A mensagem das suas vidas diz-nos que para encontrar Jesus Cristo é necessário empreender um êxodo interior e exterior e discernir os sinais. Percebemos também que caminharam juntos e juntos chegaram.

Perante o encontro face a face com o Menino Rei, a “Luz das Nações” prometida, invade-nos uma grande alegria e de certeza, quando regressaram a suas terras, falaram e testemunharam deste encontro surpreendente: “Por outra estrada regressaram à sua terra” (Mt 2, 12). Sem dúvida que quem viu o que os Magos viram e quem encontrou o que eles encontraram, quem experimentou o que eles experimentaram, não pode mais limitar-se a ser o que era. Tudo se torna novo e a estrada da vida tem de ser outra!

Assim, se inaugurou a viagem do Evangelho entre os gentios!

No dia 25 de dezembro celebrámos a vinda de Deus ao nosso encontro, a Incarnação do Verbo de Deus; hoje, celebramos esse encontro na perspectiva de tantos homens e mulheres, jovens (rapazes e raparigas) que efectivamente procuram e encontram Deus, esquivando-se à ditadura do fútil e do banal, à angústia de uma sociedade imersa no lodaçal da indiferença, da apatia, do alheamento, da desistência. O tema é imenso, e atinge-nos a todos: pastores e laicado, adultos e jovens. Talvez a mais grave doença que afecta a nossa geração: a indiferença.

É assim que se percebe uma “noite no mundo” e um “inverno da Fé e dos valores”, que consigo traz o domínio da necrofilia, a obsessiva atração pela morte, na qual tudo aparece sem rosto e sem rumo, a “cultura da morte”, para qual, a tempo e horas, nos alertou profeticamente o Papa S. João Paulo II.

Neste Tempo do Natal e nesta Solenidade da Epifania, o nosso querido Papa Francisco elucida-nos na sua Carta Apostólica sobre o significado e o valor do Presépio que: “somos chamados a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador. Cada um de nós torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor; e fá-lo com acções concretas de misericórdia”.

A nossa Arquidiocese de Évora vive este Ano Pastoral sob o desafio “Discípulos Missionários da Esperança”, assumindo a missão de “Procurar e acolher os sedentos da Esperança”, concretizando a Palavra de Jesus, “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28).

Perante o Presépio contemplamos a Luz Nova que desponta no céu e o Rebento tenro que germina no meio de nós, figuras que nos apontam o Messias. A estrela que arde nos olhos e no coração dos Magos, longe de ser, como dissemos, uma história infantil, é a força da Esperança e o dinamismo da Fé que orienta os seus passos e com eles, os passos de toda a humanidade para a verdadeira Estrela que desponta e para o rebento que germina, que afinal é o Menino nos braços de Sua Mãe, Jesus Cristo.

“Procurar e acolher os sedentos de Esperança”, leva a Igreja de Évora, aqui reunida nesta Comunidade Paroquial de Santo António, na cidade de Vendas Novas, em celebração jubilar dos 50 anos da construção desta igreja-templo, a meditar nos desafios deixados pelo texto do Apóstolo Paulo, dirigido aos Efésios e proclamado na 2ª Leitura (Ef 3, 2-3a.5-6), no qual faz saber para alegria nossa que os pagãos são co-herdeiros e comparticipantes da Promessa de Deus em Jesus Cristo, por meio do Evangelho; assim somos enviados a todas as periferias, a todos deve chegar a Luz, que é Cristo.

Como Igreja, revemo-nos no texto do Profeta Isaías (60, 1-6), proclamado na 1ª Leitura, a qual canta Jerusalém personificada como mãe extremosa que vê chegar dos quatro pontos cardeais os seus filhos e filhas perdidos nos exílios de todos os tempos e lugares.

A alegria do mesmo acolhimento canta o Salmo Real 72 ao mostrar a alegria de toda a humanidade com a presença tão carinhosa do seu Rei, que fez germinar o trigo para todos até no cimo das colinas, e tem os pobres por predilectos.

Hoje, os Magos confirmam a máxima do teólogo Teilhard de Chardin, ao afirmar que, nós os cristãos, temos a missão de manter viva na terra a chama do desejo. Quando não deixamos apagar essa chama, o desejo ou a esperança, transformam-se em alegria.

Aprendamos a beleza da espera paciente e activa que nos ensina a arte dos Magos, de não desistir, nem nos precipitarmos mesmo perante a astúcia e o cinismo dos Herodes de todos os tempos.

É a força da Esperança que vence a lamentação e nos traz a coragem. Essa é a atitude dos Magos, que nos põem a caminho sem perder o Norte que nos guia, Jesus Cristo, Estrela que vem do Oriente.

A “ditosa esperança” dos profetas no Natal, completa-se com a “grande alegria”.

Essa alegria, exige-nos partilha, Igreja Missionária da Esperança, testemunhando que em Cristo é preciso renascer.

Nesta Solenidade da Epifania, que significa manifestação de Deus entre nós e para nós, não podemos esquecer as crianças e a missão, é que hoje celebra-se o dia da «Infância Missionária», envolta no belo tema: «O Evangelho viaja sem passaporte». As crianças aproximam-nos do sorriso do Menino Jesus que nos purifica e renova.

Para as comunidades greco-católicas e ortodoxa, de tradição bizantina, nomeadamente para os irmãos ucranianos e moldavos que iniciam a celebração do seu Natal a partir da noite de amanhã, segunda feira, também na nossa Arquidiocese, Santo Natal, em fraterno espírito ecuménico.

Somos todos convidados a regressar deste verdadeiro evento Epifânico com Cristo, com renovada alegria para prosseguirmos o jubiloso testemunho da Esperança, fazendo dele acolhimento e diálogo com todos os seres humanos na mesma busca de Luz e de Paz.

Continuação de Santo tempo natalício para todos, e até Domingo, na viagem que vamos empreender de Belém até às margens do Rio Jordão para meditarmos no Baptismo de Jesus e no nosso Baptismo.

 +  Francisco José Senra Coelho, Arcebispo de Évora

 

 

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