Conselho Presbiteral da Arquidiocese debateu Exortação “Amoris Laetitia”

O Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Évora reuniu-se no dia 26 de Fevereiro, em Sessão Ordinária, para tratar o tema da recepção do capítulo VIII da Exortação Pós-sinodal, Amoris Laetitia. Da reflexão havida, há a destacar os seguintes pontos:

1. Os membros do Conselho presbiteral mostraram acolhimento e apreço para com a atitude pastoral proposta pela Amoris Laetitia no discernimento das situações irregulares em que muitas famílias se encontram, especificamente na situação de segundo casamento (civil) após casamento canónico. A referida atitude pastoral consiste em Acompanhar, Discernir e Reintegrar. Não obstante o exercício pastoral vigente ir já bastante nesta linha, o Conselho interpreta as linhas do capítulo VIII da Exortação pós-Sinodal como um incentivo a uma prática que deve crescer na sensibilidade para com estes casos e ao incremento dum estilo mais saliente da vida pastoral.

2. Os membros do Conselho sublinharam o facto de a doutrina da Igreja sobre o matrimónio católico não ter mudado com as novas orientações consignadas na Exortação Apostólica do Papa Francisco. O acolhimento das fragilidades, que os pastores são incentivados a ter, não pode dar a entender que a doutrina da unidade e indissolubilidade do matrimónio católico, consolidada nos séculos e reafirmada nos documentos dos últimos Papas, seja posta em causa. A fidelidade a esta doutrina sai reforçada na Exortação sobre a Família e constitui um aspecto fundamental a ter em conta nas práticas a adoptar na Pastoral Familiar sem prejuízo para a coerente aplicação do método proposto. Uma sólida doutrina não inviabiliza, necessariamente, práticas pastorais porventura mais abertas ao diálogo e ao acolhimento dos casos concretos.

3. Foi dito que o momento que vivemos é caracterizado por grandes complexidades no campo da família, donde resultam situações que, tendo sido pouco comuns no passado, levantam no presente novos desafios pastorais à Igreja. Não há respostas nem receitas prévias de aplicação universal, porque cada caso é um caso e cada percurso de vida requer uma atenção particular. A primazia da prática pastoral deve privilegiar o olhar sobre as pessoas nos seus sofrimentos, indo ao encontro das suas histórias que, não poucas vezes, trazem em si grandes sofrimentos agravados pelo facto de debilitarem os laços da plena comunhão com a Igreja. A fidelidade à doutrina da Igreja não pode obstaculizar as atitudes de acolhimento e de misericórdia que devem nortear a actuação dos pastores. As atitudes do Senhor Jesus perante as situações de fragilidade humana e de pecado devem servir de inspiração aos mesmos para que sejam verdadeiros continuadores e dispensadores da misericórdia do seu Mestre.

4. O método proposto pelo Papa Francisco de Acompanhar, Discernir e Reintegrar coloca aos pastores desafios novos e situações delicadas que requerem uma consciência sólida da sua missão de pastores para uma sã conjugação das orientações da Igreja com as fragilidades dos fiéis. Neste campo, a formação permanente dos pastores há-de ser encarada como uma prioridade a ter em conta para os bons frutos pretendidos.

5. Todo este trabalho há-de ser encarado como um caminho longo a percorrer, que requer paciência evangélica e persistência pastoral. Por isso, este processo complexo há-de ser acompanhado pela maturidade crescente das comunidades cristãs que, juntamente com os pastores, aprenderão a encarar o território das fragilidades humanas como um campo a redimir e a reintegrar no seio da própria comunidade e não como algo estranho a ela mesma.

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