D. Francisco Senra Coelho: D. Maurílio “confirmou com a vida o que nos ensinou com a palavra”

D. Maurílio de Gouveia “confirmou com a vida o que nos ensinou com a palavra”. Quem o diz é D. Francisco Senra Coelho, atual arcebispo de Évora que presidiu, esta quarta-feira, a uma Eucaristia no Eremitério Maria Serena, em Gaula, onde D. Maurílio viveu os últimos meses da sua vida, e onde têm estado a ser velados os seus restos mortais.

Na sua homilia, D. Francisco Senra Coelho começou por referir que iria “falar com o coração” e “sem grandes formalidades” e foi isso exactamente que fez, deixando emocionados muitos daqueles que participaram nesta celebração. E foi com o coração, que destacou a “coerência”, a “transparência” e a “dignidade” com que o arcebispo emérito de Évora assumiu a vida, mesmo quando isso lhe custava “o preço da carne, o retalho quando a cruz se lhe espetava nos ombros ou os pregos lhe abriam as mãos”.

Dirigindo-se aos familiares que participaram nesta celebração, o arcebispo eborense disse que “já somos família há muito tempo”. Desde que a Ilha “soltou esta pérola que foi parar ao Alentejo”, uma pérola “do rosário de Nossa Senhora”, disse.

“Há um fio de ouro que nos liga, que não se vê, mas que está no coração”, disse ainda D. Francisco Senra Coelho, que agradeceu mais uma vez à ilha “pelo bispo que nos deu”. Um bispo que viveu intensamente ”em aliança com Deus” e “em fidelidade ao projeto amoroso de Deus”.

Um homem mariano e um consagrado a São José, que viveu “acima das aparências, acima do que se pode dizer, acima das impressões sociais, acima do legalmente aceite, daquilo que é uma hora determinante, uma onda dominante, aquilo que fica bem”, que sempre “quis cumprir-se a ele mesmo”, e que encarou a cruz da sua doença prolongada com a grandeza de um cristão que se entregou nas mãos de Deus com “paz, serenidade e confiança”.

D. Francisco Senra Coelho, que era ainda seminarista quando D. Maurílio de Gouveia chegou ao Alentejo, tendo sido ordenado sacerdote por ele, salienta um pastor da Igreja que “procurava ler os sinais dos tempos” e que “marcou com clareza uma posição de paternidade espiritual, de igualdade de todos, de respeito por todos, de pastor de todos”.

“D. Maurílio não pactuava com a mediocridade, a duplicidade. Queria transparência e coerência”, e era isso que, disse, pedia à Igreja e aos que lhe estavam mais próximos.

“É muito importante perceber esta honra imensa que os filhos de Évora têm no seu pai espiritual”, que durante 27 anos guiou a Arquidiocese que agora “agradece, de forma muito sentida, a todos os que cuidaram do senhor arcebispo, ao longo destes meses de subida ao calvário”.

Recorde-se que as celebrações fúnebres vão decorrer esta quinta-feira, na Sé do Funchal, onde será celebrada pelas 08:30 horas a Missa de Corpo Presente, presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás. O Corpo de D. Maurílio segue depois para a Diocese de Évora onde será sepultado.

Texto de Luisa Gonçalves: Jornal da Madeira

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