Peregrinação da Família Salesiana a Fátima: Arcebispo de Évora lamenta que “slogan” do “ensino livre em Portugal” não se torne de facto realidade

Neste fim de semana, dias 18 e 19 de Maio a Família Salesiana de todo o País fez a sua peregrinação anual ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima que teve como tema “Com Maria, santidade é alegria” e que foi presidida pelo Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho. Na Arquidiocese alentejana e ribatejana, os Salesianos e as Salesianas contam com dois colégios: em Évora e Vendas Novas, respectivamente.

Neste domingo, dia 19 de Maio, ao presidir à 68.ª Peregrinação Nacional da Família Salesiana, em Fátima, ao concluir no recinto a Eucaristia do V Domingo Pascal, perante uma considerável multidão de várias dezenas de milhares de fiéis, o Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho, implorou a bênção de Deus para todos os que “desejam e trabalham pela conquista da integral liberdade do ensino em Portugal”, tendo recordado que “só é livre quem pode escolher, e só pode escolher quem tem meios que tornem possível e acessível as suas escolhas”.

Já à margem da celebração da Missa, o Prelado comentou ao semanário da Arquidiocese de Évora, “a defesa”, que “a pedagogia e os valores vividos e convividos nas Escolas de D. Bosco, não são desde a sua origem, elitistas, mas bem pelo contrário, desejadamente acessíveis a todas as periferias sociais e existenciais”. “São, por isso, um direito de opção para todos os pais e educadores, para todos as crianças, adolescentes e jovens que tenham o gosto de querer optar livremente por uma Escola Pública Salesiana ou de outro carisma educativo”, apontou.

“O que se impõe em Portugal é uma lamentável reminiscência de mentalidades e ideologias totalitaristas, ainda que residuais. Estas, impositivamente, e em nome da acessibilidade de todos ao ensino público, e do equilíbrio de contas, continuam a fazer dos nossos filhos e netos, dos discentes, propriedade duma educação exclusivista e monolítica, totalmente conduzida pelo Estado”, referiu.

“O lamentável é que o “slogan” do dito “ensino livre em Portugal” não se torne de facto realidade e persista o protecionismo exclusivista estatal e a subtil e gradual liquidação do ensino público de iniciativa privada, que continua a ser apresentado como luxo para privilegiados, quando pelo contrário, sai mais barato ao Estado e, por isso aos cidadãos”, apontou o Arcebispo de Évora, que acrescentou que “no desgaste das escolas de administração privada, esta mentalidade progressivamente eliminadora da “escola privada”, por vezes, já assume o sabor amargo de ameaça irreversível, com o consequente cortejo de sofrimentos que são os despedimentos”.

“Não duvidemos que se trata de um empobrecimento da sociedade que nos vem pela limitação da pluralidade; uma mutilação da nossa cidadania pelas limitadíssimas capacidades de escolha por parte dos educadores e até um sinal de subdesenvolvimento, numa Europa e numa globalização onde as iniciativas e empreendedorismos dos cidadãos expressam e apontam cada vez mais o futuro”, disse o Prelado eborense.

“Eis, para nós cidadãos católicos, um desafio concreto, o conhecimento dos conteúdos, estudo e aprofundamento da Doutrina Social da Igreja, nomeadamente sobre a Liberdade de Ensino. Importa alicerçar as nossas opiniões para termos um sentido crítico objectivo…”, concluiu D. Francisco José Senra Coelho.

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