Paróquias do Concelho de Mora acolhem com entusiasmo a Visita Pascal

Na memória de alguns paroquianos de Mora e de Pavia há ainda vagas recordações de se ter realizado a visita pascal nestas paróquias. Segundo muitos testemunharam, o P. Arménio e o P. Alberto Reia terão, em anos já muito andados, tomado esta iniciativa em Mora e em Pavia. Há quem ainda se lembre dos arranjos florais nas umbreiras das portas e os tapetes de flores a indicar as casas a visitar.
Este ano, os párocos desta zona pastoral decidiram abraçar este desafio. Oportunamente, foi anunciado nas paróquias que este ano iríamos fazer a visita pascal em todas as paróquias: Mora, Cabeção, Pavia, Brotas e Malarranha. As famílias interessadas deveriam inscrever os seus nomes numa lista à disposição na sacristia. Feitos os esclarecimentos, mais de 200 famílias se inscreveram para acolher a comitiva pascal que, partindo das igrejas paroquiais, ia de casa em casa a anunciar a ressurreição de Jesus.
A iniciativa causou grande entusiasmo. Para alguns era completamente novo este gesto e estavam hesitantes sem saber muito bem como fazer. Outros já conheciam a experiência porque tinham familiares no Norte onde há esta tradição e mostravam-se muito agradecidos por agora acontecer também na sua terra. O ambiente da visita acabaria por contagiar a todos que não regatearam expressões de alegria e de gratidão exortando a que se repita no próximo ano.
A visita pascal ou do Compasso, como é conhecido nas paróquias do Norte, reveste-se de grande significado cristão e de grande simbolismo. A alegria da Páscoa traz inerente o anúncio público e o testemunho dos cristãos. Quem celebra Cristo ressuscitado deveria sentir o apelo a testemunhar com a vida a verdade essencial da sua fé: Cristo ressuscitou! Aleluia! As comunidades devem sentir esta missão como um compromisso que brota do mandato do Senhor: “- Ide por todo o mundo e anunciai…”
O Compasso é uma forma de encarnar este compromisso e este testemunho. Os frutos foram evidentes. Muitos, nas praças e nas ruas, mostravam a sua surpresa quando começavam a ouvir o som da campainha ainda ao longe. Ao verem a comitiva pascal que percorria as ruas e as praças mostravam-se acolhedores da iniciativa. Nem um só gesto houve em todas as paróquias que pudesse destoar do espírito pascal. Em todos notava-se o máximo respeito e expressões de aprovação.
Por questões de ordem práctica, optou-se por realizar a visita pascal nas tardes dos Domingos do tempo pascal, dado que de manhã se celebravam as Eucaristias dominicais. No dia 8 de Abril, o P. Nelson Fernandes em Brotas e o P. Mário de Oliveira em Pavia com os seus acompanhantes que eram compostos pelo ministro da Cruz, os acólitos com a caldeirinha da água benta e com a campainha, um irmão com um cesto que distribuía as pagelas alusivas ao dia e o que recolhia as ofertas, lá partiram de casa em casa. No dia 15 foi a vez de Mora com os dois párocos a percorrer zonas diferentes da Vila visitando um grande número de famílias. No dia 22, chegaria a vez de Cabeção também com os dois grupos a espalhar a alegria pascal, pois o número de casas a visitar assim o aconselhava. Para encerrar, no dia 29, chegou a vez de Malarranha que não quis ficar de fora e cerca de 15 casas receberiam a visita pascal.
Nota significativa e digna de registo foi a generosidade das famílias visitadas. Mesas postas a rivalizar com o que acontece no Norte e a insistência a que saboreássemos as iguarias próprias da época. Era também espontâneo o gesto de dar um contributo para as obras das paróquias tal como fora anunciado. O sentido de generosidade em todas as comunidades foi surpreendente e ultrapassou largamente as expectativas, pelo que estão de parabéns todas as comunidades.
Em jeito de balanço, pareceu-nos muito positiva esta iniciativa pastoral que encheu de colorido e sentido pascal estas comunidades que viveram agradecidas um dia diferente. Um rasto de alegria inundou muitos lares com as suas famílias. Muitos que vivem sós, agradeceram a visita porque nunca ninguém lá vai visitá-los. Para os párocos, foi também uma magnífica oportunidade de conhecer melhor a realidade dos seus paroquianos, escutar o relato de muitos dramas, o desabafo de muitas solidões bem como celebrar a alegria de muitas famílias reunidas para acolher o anúncio da alegria pascal.
Em todos, o desejo que a visita pascal se repita para o ano. Muitos, agora que já viram o que é, manifestaram já o desejo de abrir as suas portas no próximo ano para receber a Cruz florida da Páscoa e o sacerdote com os seus acompanhantes que em nome da comunidade anuncia Cristo ressuscitado.

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