Tradições associadas à 2ª-Feira de Páscoa: Romarias no Alentejo

No Alentejo, a tradição de Páscoa está muito ligada à segunda-feira de Páscoa, na qual, de uma maneira geral, os alentejanos vão para o campo desfrutar da beleza primaveril que nos inunda de cores e cheiros, abrindo o apetite para a gastronomia tradicional neste dia: o borrego e o folar.
Na Arquidiocese de Évora, nalgumas localidades, essa tradição de ir para o campo ganhou contornos de Romaria, com um programa organizado em que o sagrado e o profano convivem, sendo momentos de devoção religiosa e de saudável convívio entre familiares e amigos.

Junto à fronteira, há décadas que, no fim-de-semana da Páscoa, a vila de Campo Maior fica praticamente deserta porque a maioria da população, incluindo famílias inteiras, se mudam literalmente para as margens do rio Xévora, junto do Santuário de Nossa Senhora da Enxara, a poucos quilómetros da aldeia de Ouguela e de Alburquerque. Apesar das celebrações religiosas acontecerem apenas no Domingo de Páscoa, com a celebração de uma Eucaristia, pelas 15h, os campomaiorenses vão para ali acampar dias antes. No dia mais importante da Festa, segunda-feira de Páscoa, feriado municipal, realiza-se uma Missa, pelas 16h, seguida de procissão em honra de Nossa Senhora da Enxara.

Mais a oeste da Arquidiocese, decorre a Romaria em honra de Nossa Senhora do Carmo, que acontece na Serra de São Miguel, concelho de Sousel. Trata-se de uma romaria secular que se realiza anualmente, na segunda-feira de Páscoa. Segundo a imprensa local, as gentes da vila de Sousel, numa azáfama, preparam de véspera o cabrito assado, o ensopado de borrego, as “costas” e o pão que são feitos no forno de lenha. Na Segunda-feira de Páscoa invadem a Serra de S. Miguel, em busca de uma sombra das oliveiras que a povoam, para estenderem as suas toalhas e fazerem o piquenique. Durante a Páscoa, a imagem de Nossa Senhora do Carmo é levada para a capela, no alto daquela Serra. E na próxima segunda-feira, cumprindo a tradição, está marcada a Missa Campal seguida de Procissão, para o meio-dia. Finalizadas as cerimónias religiosas, acontece o almoço e depois, o tradicional rebola de confraternização na encosta da Serra.

A sul, na Arquidiocese, nomeadamente, por Mourão, na segunda-feira de Páscoa realiza-se a Romaria de S. Pedro dos Olivais, junto à nova ponte da Albufeira de Alqueva, que liga os concelhos de Mourão e de Reguengos de Monsaraz. O dia começa com a concentração de carros alegóricos, em volta do Jardim Municipal, que seguirão, pelas 10h, em cortejo para a ermida de S. Pedro, com a Banda Municipal. A Missa Solene campal, na ermida de S. Pedro, será às 11h30, abrilhantada pelo Grupo Coral de Nossa Senhora das Candeias seguida de Procissão em volta da ermida, abrilhantada pela banda filarmónica de Mourão. Após a confraternização, inicia-se o Arraial, com o leilão das fogaças, alternando com animação musical.

Pelo Alentejo fora existem ainda outras festas e romarias tradicionais com maior ou menor organização, que marcam a segunda-feira de Páscoa e os dias seguintes, como acontece no concelho de Alandroal, onde na segunda-feira de Pascoela, oitavo dia depois da Páscoa, acontece a Romaria da Senhora da Boa Nova, para a qual muitos ainda guardam o borrego e o folar para degustarem por esses dias.

Na cidade de Elvas a tradição de ir comer o borrego para o campo é também cumprida, sendo que neste caso, na segunda-feira de Páscoa, os elvenses rumam para a Ajuda, nas margens do Rio Guadiana, onde comem o borrego assado.

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