Tomada de Posse: “Igreja de Évora convoco-Te para a Missão!”, desafia D. Francisco

Veja aqui a fotoreportagem da autoria de Pedro Miguel Conceição/a defesa

A Catedral de Évora abriu as portas de par em par, na tarde do passado domingo, 2 de Setembro de 2018, dia típico do estio alentejano, com os termómetros a registar mais de 35 graus, para receber a multidão que ali se deslocou para acolher D. Francisco José Vilas Boas Senra de Faria Coelho como novo Arcebispo Metropolitano de Évora, que defendeu “uma Igreja acolhedora, familiar, transparente e coerente”.
Com a presença do Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, do bispo de Leiria-Fátima, Cardeal D. António Marto, do Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, e de grande parte dos Bispos de Portugal, residenciais e eméritos, e ainda do Arcebispo de Mérida-Badajoz (Espanha), D. Celso Morga Iruzubieta, e do Bispo do Mindelo (Cabo Verde), D.Ildo Fortes, com mais de uma centena de presbíteros e várias dezenas de diáconos, religiosos, catequistas e entidades civis, militares e académicas, e muito povo anónimo, representando todas as Paróquias da Arquidiocese, decorreu com muito brilho a Tomada de Posse do novo Arcebispo de Évora.
A Entrada Solene começou com o cortejo litúrgico que saiu da igreja dos Lóios, junto ao Templo Romano, rumo à Catedral que estava completamente lotada, sob a presidência de D. José Alves.
No início da celebração, o administrador apostólico da Arquidiocese, D. José Alves, saudou os presentes, não esquecendo D. Maurílio de Gouveia, arcebispo emérito de Évora, ausente por motivos de saúde.

“Permanecerei para sempre unido espiritualmente a vós”

No início da celebração eucarística, D. José Alves convidou todos a que se unissem aos seus “sentimentos de louvor e de acção de Graças pelos 10 anos e meio de ministério episcopal à frente da querida Arquidiocese de Évora”. Ao novo Arcebispo, D. José Alves desejou “um pontificado longo, fecundo e abençoado por Deus”. Depois de agradecer a colaboração de todos, o Arcebispo Emérito garantiu que “permanecerei para sempre unido espiritualmente a vós, a toda a Arquidiocese e ao seu novo Pastor, a quem muito estimo”.
“Seja bem-vindo, D. Francisco, o nosso coração rejubila de alegria ao recebê-lo como Pastor, como Pai, como Irmão e como Amigo. Conte com a nossa colaboração e com a nossa amizade”, concluiu D. José Alves, ouvindo-se de seguida um forte aplauso da assembleia.

Tomada de Posse

De seguida D. José Alves deu Posse ao novo Arcebispo, tendo sido lida a Bula Papal de Nomeação (Cartas Apostólicas), pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato.
Depois foi lida a Acta da Tomada de Posse pelo Chanceler da Cúria da Arquidiocese de Évora. cón. Manuel Madureira da Silva e assinada por alguns dos presentes.
Assinada a Acta, o Administrador Apostólico entregou o Báculo (símbolo da missão de governar a Igreja que lhe é confiada) ao Arcebispo e levou-o à sua Cátedra (o lugar de quem preside à Igreja e à celebração. É a cadeira do Bispo na Catedral), momento acompanhado por forte ovação da assembleia, que foi saudada de seguida pelo novo Arcebispo de Évora.
D. Francisco recebeu entretanto o Pálio, imposto pelo Núncio Apostólico em Portugal (insígnia litúrgica de honra e jurisdição da Igreja Católica, concedida aos Arcebispos Metropolitas), que fora abençoado no passado dia 29 de Junho, em Roma, pelo Papa Francisco. De seguida, o Arcebispo de Évora fez a Profissão de Fé e fez o juramento de fidelidade proposto nas Cartas Apostólicas.
O momento da Tomada Posse terminou com o ósculo da Paz entre o Núncio Apostólico e o Arcebispo de Évora, tendo este de seguida ficado por breves segundos perante o povo de Deus, enquanto o coro Stela Matutina entoava o cântico “Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera”.

“Bem-vindo a esta casa que bem conhece”

De seguida, já sentado na cátedra, o novo Arcebispo de Évora foi saudado pelo Deão, cónego Eduardo Pereira da Silva. “Bem-vindo a esta casa que bem conhece”, disse, deixando ainda uma palavra especial de agradecimento a D. José Alves, arcebispo emérito de Évora.
“Que o Senhor, que o escolheu, o abençoe sempre com Os seus dons, nomeadamente, da sabedoria divina e da fortaleza apostólica”, desejou ao novo Arcebispo o cónego Eduardo Pereira da Silva.
Terminada a Tomada de Posse, a celebração eucarística continuou com o Glória e sob a presidência de D. Francisco Senra Coelho.

Novo Arcebispo de Évora rejeitou o “legalismo religioso”

À homilia, D. Francisco José Senra Coelho rejeitou o “legalismo religioso” que “deturpa e caricaturiza a verdadeira relação com a beleza de Deus”, e criticou “atitudes fundamentalistas” que aconteceram “na história e na actualidade” da Igreja. “O legalismo religioso deturpa e caricaturiza a verdadeira relação com a beleza de Deus; no seu entendimento, cumpridas todas as regras e prescrições, Deus seria apenas chamado para apreciar e testemunhar o nosso esforço e para nos atribuir o prémio que reclamamos. Este orgulho leva à soberba da autossuficiência, da autocontemplação e da autosalvação”, afirmou D. Francisco Senra Coelho.
“A Igreja eborense revê-se no chamamento de Deus à humildade, à fidelidade e ao serviço”, destacou, sublinhando a busca pela transparência, pela “verdade, pela coerência”.
“Seremos Igreja acolhedora, uma família em tenda alargada; disponível e preparada para acolher todos os que chegam feridos pela vida, deserdados pelo abandono e, por isso, buscam uma porta aberta de assumida humanização”, afirmou.
“Comigo, a Igreja eborense, neste momento e sempre, une-se ao Papa, em profunda comunhão e coloca-o na sua permanente oração, confiante nos esforços empreendidos em mostrar ao mundo uma Igreja acolhedora, familiar, transparente e coerente”, sublinhou.
“Igreja de Évora convoco-Te para a Missão! O Sol vai alto! Vamos trabalhar para a Vinha do Senhor que, nesta porção da Humanidade, nos foi confiada! De mãos dadas, porque somos discípulos missionários, não nos esqueçamos: “Todos, tudo e sempre em Missão”, concluiu o Prelado a homilia, na qual apresentou ainda a sua mãe de 83 anos de idade, que “decidiu deixar tudo e vir comigo, para que eu tenha todo o tempo para vós”.
No momento do ofertório, representantes do Clero entregaram ao novo Arcebispo uma imagem de Cristo Bom Pastor, uma família entregou uma imagem de Nossa Senhora da Conceiçao, segundo o Figurado de Estremoz (peça da oficina das Irmãs Flores, Agosto 2018). Os jovens entregaram um tablet e as crianças uma imagem de um cordeiro.
No final da Eucaristia, foi lido o primeiro decreto episcopal, de D. Francisco José Senra Coelho, de acordo com o Direito Canónico, no qual confirmou a nomeação de todos os colaboradores mais próximos, nomeadamente o Vigário Geral, o Chanceler da Cúria, o Vigário Judicial, o Ecónomo Diocesano, os Conselhos Presbiteral e Pastoral, e os Vigários da Vara.

Cumprimentos e ágape

Depois da Bênção, o novo Arcebispo de Évora disponibilizou-se para receber cumprimentos das entidades ali presentes, nomeadamente, representante do Presidente da República, os representantes das forças de autoridade e segurança, entidades civis, militares, municipais e académicas e diversas personalidades com responsabilidades cívicas na região, bem assim, os religiosos e leigos e representantes dos Movimentos eclesiais que representavam as Comunidades Cristãs da Arquidiocese de Évora e de Braga.
A jornada histórica terminou com um ágape servido no Seminário Maior de Évora, onde os convidados cantaram os parabéns ao novo Prelado Eborense e foi partido o bolo.

“Esta igreja de Évora está viva”

No final do ágape, em exclusivo à reportagem de “a defesa”, D. Francisco José Senra Coelho, visivelmente cansado, mas de sorriso aberto e olhar sereno, afirmou que “Évora acolheu-me de coração aberto assim como a todos os que vieram das outras Igrejas. Foi uma grande experiência de catolicidade. Naquele altar, no coração de cada um de nós esteve uma multidão ainda maior. Esteve o senhor D. Maurílio, e muitos bispos e sacerdotes que não puderam vir”.
“Esta Igreja de Évora está viva e quer ajudar o mundo e as pessoas a serem mais felizes”, concluiu.

 

Reportagem de Pedro Miguel Conceição publicada no jornal “a defesa” de 5 de Setembro de 2018.

 

 

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