Às Terças Com...

(30) Atenção ao limite de velocidade

Há momentos que se tornam, naturalmente, marcos nas nossas vidas – o casamento, o nascimento de um filho, uma viagem de sonho…

Não sou casada, não tenho filhos e, feliz ou infelizmente, nunca tive saldo bancário suficiente, para fazer uma daquelas viagens que se escolhem por catálogo.

Mas escolho a cada dia, e sem catálogo, uma série de percursos que me constroem e definem como pessoa. Que me marcam.

Quando fiz 30 anos achei que devia parar e avaliar a minha vida até então. E percebi que, sem fazer viagens de sonho, tinha, afinal, sonhos na bagagem do dia-a-dia…
Mas parar e olhar com verdade para nós, para o que somos, e o que fazemos com aquilo que somos, custa muito. E desafia-nos à mudança – que custa tanto ou (talvez) ainda mais.

E parar interiormente para avaliar, quando por fora continuava no ritmo acelerado de quem tem responsabilidades diárias, às quais nunca gostou de faltar, tirou-me literalmente horas de sono, muitas noites. Cansou-me física e psicologicamente. Baralhou-me. Gastou-me. Pôs-me a chorar. Mas ainda assim fez-me chegar ao nível que precisava – o do encontro.

Coloquei-me Nas mãos de Deus1 , e Ele levou-me a lugares e pessoas que, na sua singularidade, me fizeram centrar naquilo que sou, naquilo que sonho, naquilo que Ele me dá e em tudo o que quero fazer do meu futuro. Tudo o que quero fazer com a minha vida!

Os 30 anos, ao invés de serem uma idade para estabilizar profissional, familiar e socialmente, foram afinal a idade para mudar e arriscar. Troquei o emprego estável pela procura de trabalho, e voltei a estudar – para concretizar o sonho antigo de chegar à área social.

Já fiz 31 e continuo a não ter dinheiro (nem tempo) para uma viagem de sonhos. Continuo a não fazer planos para casar. Mas sei e sinto, cada vez mais, que o encontro com Deus, através das pessoas, me coloca sempre um passo mais perto do caminho que me faz feliz. Marca-me. Sempre.

As viagens dentro de nós podem demorar uma vida. Espero que começar, a sério, aos 30, não tenha sido tarde.

1 Talvez um dia vos escreva sobre este marco na minha vida

Helena Tirapicos