Às Terças Com...

As férias não param a vida, mas podem recomeçá-la

Tenho a graça de ter amigos que falam por abraços.
Amigos que fazem parte da vida de todos os dias, mesmo que estejam a quilómetros de distância e sem que seja necessária qualquer comunicação.

Tenho a graça de ter amigos que consolam no silêncio.
Amigos com quem as palavras sobram, porque a presença e o olhar já disseram tudo.

Tenho a graça de ter amigos que me ensinaram a abraçar.
Amigos com quem aprendi que Jesus se partilha muito mais do que se escreve. E amigos que (me) trazem Deus, ainda que por vezes não O saibam em si.

Tenho a graça de ter amigos que são sopro.
Amigos que me tiram da correria dos dias, que me obrigam a parar e a respirar, e que tanto suspendem o tempo numa tarde, como são motor, que traz novo fôlego.

Tenho a graça de ter amigos que rezam.
Amigos que são consolo, colo, paz, serenidade. Que me recordam que a vida é mais do que o(s) problema(s) em que me foco. Que me fazem sentir acompanhada e membro do corpo que somos todos, enquanto Igreja.

Convido-te a parar e pensar nos teus amigos. Tens sido abraço? Tens sido consolo? Tens dado alento? Tens rezado? Tens estado – simplesmente?

A vida acontece todos os dias, mas estamos constantemente a adiá-la… para o café que “depois combinamos”, para o jantar que “assim que tiver tempo organizo lá em casa”, para o fim-de-semana “que temos de marcar”, para as férias que “temos de repetir”.

O tempo de descanso está mesmo aqui “à porta” e, com ele, o fim das justificações que damos a nós mesmos, para sermos amigos menos presentes, e para sermos menos nós. Começa a ser tempo de deixar de adiar a vida. Começa a ser hora de viver em pleno.

É este o instante em que eu posso decidir deixar de estar à superfície, e mergulhar na vida – na minha vida. É agora o momento em que eu posso reconhecer todas as graças que recebo a cada dia. É aqui que eu decido o que quero ser na vida dos que me rodeiam, e na minha própria vida.

Farei o exercício sozinha, ou haverá mais alguém que se sinta com coragem para ser abraço, consolo, alento, oração, presença – a cada dia?

Helena Tirapicos