1 de janeiro’22/Dia Mundial da Paz: Arcebispo de Évora preside à concelebração da Eucaristia em Reguengos de Monsaraz (Com Homilia)

Neste dia 1 de Janeiro de 2022, pelas 17h00, o Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho, presidiu à concelebração da Eucaristia, na presença do coordenador-geral das JMJ 2023, D. Américo Aguiar, em Reguengos de Monsaraz.

A Eucaristia foi transmitida em directo pela Rádio Renascença.


HOMILIA DIA MUNDIAL DA PAZ

Reguengos de Monsaraz 01-01-2022

  1. É com a maior alegria e gratidão à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo que recebemos os Símbolos da Jornada Mundial da Juventude, a decorrer, querendo Deus, em Lisboa no próximo ano de 2023, de 1 a 6 de agosto.

Rezo para que neste mês de janeiro, previsivelmente preocupante devido à evolução da pandemia Covid 19, consigamos valorizar a qualidade dos nossos encontros para superar o melhor possível aquilo que a distância protetora nos vai exigir e impor. Apesar de todas as limitações previsíveis, exorto-vos a viver este Tempo de Graça com a Alegria Cristã, fundamentada na certeza que o Senhor Jesus está connosco. Assim, aliemos a nossa Esperança e Confiança ao cumprimento rigoroso das normas de segurança emanados pelas autoridades competentes:  a Conferência Episcopal Portuguesa e a Direcção Geral de Saúde.

Sejam Bem Vindos os Símbolos da J.M.J., Portugal 23! Recebamo-los dando o nosso melhor e fazendo o possível para que a sua presença desperte em nós a Luz da Paz e da Solidariedade.

Caros jovens, estimados irmãos aqui presentes nesta ampla Igreja Neogótica, Matriz de Reguengos de Monsaraz e todos os irmãos e irmãs que nos acompanham pelas redes sociais e pela Emissora Católica Portuguesa Rádio Renascença, sobretudo os doentes e sós, hoje  os cristãos começam um novo ano civil,  com três importantes celebrações:  a oitava do Natal;  a solenidade litúrgica em memória de Maria, invocada  como Santa Maria, Mãe de Deus; e, desde 1968, por vontade do Papa Paulo VI,  o Dia Mundial da Paz. Para nós junta-se a alegria de recebermos os símbolos da JMJ Portugal 2023.

  1. Neste dia, desejamos a todos um Feliz Ano Novo. Este desejo encontra-se, em forma de oração, no salmo responsorial, na seguinte afirmação: “Deus se compadeça de nós e nos dê a Sua bênção, resplandeça sobre nós a Luz do Seu rosto”. Esta oração é um resumo da bênção de Deus, dada a Aarão e aos seus filhos, que se encontra na Primeira Leitura: «Assim abençoareis os filhos de Israel dizendo: “O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face ed te seja favorável. O Senhor volte para ti os Seus olhos e te conceda a Paz”». A Luz e a Paz são duas realidades muito importantes para se viver mais um ano.

Na Segunda Leitura, São Paulo, na Carta aos Gálatas, diz-nos que “quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho nascido de uma mulher e sujeito à lei… para nos tornar seus filhos adotivos. E se és filho de Deus, também és herdeiro, por graça de Deus”.

Há oito dias celebrámos a solenidade do nascimento de Jesus. Neste tempo de Natal, Maria tem um grande destaque, por isso, no Evangelho, S. Lucas apresenta-nos uma das afirmações mais surpreendentes que contêm os Evangelhos sobre a figura de Maria: “Maria conservava todos estes acontecimentos meditando-os em seu coração”. É a confirmação de Maria como uma mulher de vida interior, de silêncio, de reflexão, de vida contemplativa, de rezar o que vive. Assim, Maria ensina-nos que as acções de misericórdia para com os outros têm de brotar do interior do nosso coração, ou seja, amar com o amor com que somos amados por Deus.

  1. Hoje é Dia Mundial da Paz. Na sua Mensagem para o 55º Dia Mundial da Paz, intitulado “Diálogo entre gerações, educação e trabalho: instrumentos para construir uma paz duradoira”, o Papa Francisco lembra que: “todos podem colaborar para construir um mundo mais pacífico partindo do próprio coração e das relações em família, passando pela sociedade e o meio ambiente, até chegar às relações entre os povos e entre os Estados.

O Papa propõe três caminhos para a construção duma paz duradoura. Primeiro, o diálogo entre as gerações, como base para a realização de projetos compartilhados. Depois, a educação, como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento. E, por fim, o trabalho, para uma plena realização da dignidade humana. São três elementos imprescindíveis para tornar «possível a criação dum pacto social», sem o qual se revela inconsistente todo o projeto de paz.

Enquanto o progresso tecnológico e económico frequentemente dividiu as gerações, as crises contemporâneas revelam a urgência da sua aliança. Se os jovens precisam da experiência existencial, sapiencial e espiritual dos idosos, também estes precisam do apoio, carinho, criatividade e dinamismo dos jovens.

Por conseguinte, é oportuno e urgente que os detentores das responsabilidades governamentais elaborem políticas económicas que prevejam uma inversão na correlação entre os investimentos públicos na educação e os fundos para armamentos. Aliás a busca dum real processo de desarmamento internacional só pode trazer grandes benefícios ao desenvolvimento dos povos e nações, libertando recursos financeiros para ser utilizados de forma mais apropriada na saúde, na escola, nas infraestruturas, no cuidado do território.

O trabalho é o lugar onde aprendemos a dar a nossa contribuição para um mundo mais habitável e belo. O Papa conclui que o trabalho é a base sobre a qual se há de construir a justiça e a solidariedade em cada comunidade. Por isso, «não se deve procurar que o progresso tecnológico substitua cada vez mais o trabalho humano: procedendo assim, a humanidade prejudicar-se-ia a si mesma. O trabalho é uma necessidade, faz parte do sentido da vida nesta terra, é caminho de maturação, desenvolvimento humano e realização pessoal». Temos de unir as ideias e os esforços para criar as condições e inventar soluções a fim de que cada ser humano em idade produtiva tenha a possibilidade, com o seu trabalho, de contribuir para a vida da família e da sociedade.

Como é urgente promover em todo o mundo condições laborais decentes e dignas, orientadas para o bem comum e a salvaguarda da criação! É necessário garantir e apoiar a liberdade das iniciativas empresariais e, ao mesmo tempo, fazer crescer uma renovada responsabilidade social para que o lucro não seja o único critério-guia”.

Entrego ao coração de cada jovem, aos movimentos e grupos eclesiais de jovens, o êxito pastoral desta peregrinação missionária, desta convocatória comprometedora dos Símbolos da JMJ à Arquidiocese de Évora. Que no SIM de Maria reforcemos a nossa audácia, criatividade, empreendedorismo e fidelidade. Rezo convosco e acompanho-vos em cada momento com a disponibilidade possível. Contai comigo! Eu conto com a unidade de todos os jovens, sem exceção, para construirmos a paz a partir do diálogo interjecional, da valorização da educação e do trabalho. FELIZ ANO NOVO!

 

+ Francisco José Senra Coelho

Arcebispo de Évora