Conselho Pastoral Diocesano prepara o próximo Ano Pastoral

Na manhã do dia 10 de julho de 2021 decorreu, por via telemática, uma Reunião Ordinária do Conselho Pastoral Diocesano (CPD) e presidida pelo Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho, com a participação de 17 membros do Conselho.
A reunião iniciou com um momento de oração. Seguiu-se a aprovação da Acta da Reunião anterior.
Na sua saudação ao Conselho, o Arcebispo de Évora agradeceu o esforço de “todos neste ano pastoral difícil” devido ao contexto pandémico que ainda vivemos. Sublinhou o esforço dos presbíteros que procuraram manter as comunidades vivas, assim como dos Movimentos e dos sectores da Pastoral que se empenharam na vivência do Ano Laudato Si e dos Anos de São José e Amoris Laetitia que ainda estamos a viver. Destacou ainda o pronunciamento da Comissão Justiça e Paz sobre as realidades que vivemos e o seu trabalho no aprofundamento e vivência do Ano Laudato Si.
As vivências do Ano São José e do Ano Amoris Laetitia continuarão entregues à responsabilidade dos Movimentos do setor da Pastoral Familiar que já “fizeram um trabalho com muito sucesso e que certamente continuarão a fazer”, referiu D. Francisco Senra Coelho.
Entretanto, o Prelado apontou dois desafios para o próximo Ano Pastoral e que terá como tema “Cuidar e inserir os sedentos de esperança”.
Por um lado, “temos um desafio novo para este ano que nos coloca numa dimensão de abertura à Igreja Universal, que é a atenção ao Sínodo dos Bispos que vai passar por todas as dioceses e que terá início em outubro. Pretende-se que todas as paróquias, comunidades e movimentos participem nesta reflexão promovida por Roma. É uma oportunidade sinodal para viver a comunhão que é a essência da Igreja”, disse o Prelado.
Por outro lado, as Jornadas Mundiais da Juventude de 2023 são da Arquidiocese de um modo transversal “nas quais todos temos que nos envolver”. São dirigidas às novas gerações, ao futuro da Igreja, mas “nós somos parte e, em corpo, somos membros e não podemos ignorar.” “É necessário mobilizar a Arquidiocese para as JMJ 2023”, sublinhou o Prelado.
De seguida, fez-se uma avaliação do Ano Pastoral 2020/2021 que ainda foi muito marcado pela pandemia Covid-19.
O cónego Mário Tavares de Oliveira fez um “balanço pendular” do ano pastoral transato referindo que “a nota dominante tem sido a vontade de resiliência e de permanecer apesar das dificuldades”. “Vivemos mais um ano onde houve muita tenacidade e preocupação de realizar o que foi possível. Há um espírito geral positivo. O pior que pode acontecer é remetermo-nos para a depressão social”, referiu o sacerdote.
Seguidamente, cada membro aportou a sua avaliação de acordo com a sua sensibilidade e intervenção pastoral. Apesar de tantos constrangimentos, a persistência, a resiliência e a criatividade marcaram todos os sectores da pastoral e, ainda que não se tenham realizado os encontros presenciais, foram realizados inúmeros no âmbito digital, que deram os seus frutos e garantiram a vitalidade da pastoral diocesana.

“Cuidar e inserir
os sedentos da Esperança”
será o lema
do Ano Pastoral 2021/22

Sobre o próximo Ano Pastoral, o Cónego Mário Tavares de Oliveira apresentou algumas ideias para este que será o terceiro ano do Quadriénio sobre o grande tema da “Esperança”.
O lema do Ano Pastoral 2021/22 será “Cuidar e inserir os sedentos da Esperança”.
“O tema do Plano Pastoral 2021/22 remete-nos para um conteúdo fundamental da experiência cristã. “Cuidar e Inserir” os sedentos da Esperança toca o coração da proposta do evangelho e evoca o que de melhor o caminho da Igreja tem realizado nos caminhos da história”, referiu.
“O itinerário bíblico é um testemunho vivo do cuidar dos mais débeis e de os inserir na comunidade. Os muitos ensinamentos sobre o modo como cuidar dos estrangeiros e dos migrantes, o lugar dos pobres e dos aflitos, dos que sofrem as injustiças ou que padecem os males do corpo são páginas luminosas que, sendo pretéritas, inspiram a nossa ação pastoral de hoje”, explicou.
Portanto, o Plano Pastoral 2021/22 coloca o desafio à ação da Igreja na vivência da cultura do “cuidar” que está em toda a tradição bíblica. “O contexto obriga-nos a atualizar a nossa fidelidade e partir da base da escritura é um bom ponto de partida, não só como ideias, mas de uma práxis da Igreja”, referiu.
“A Igreja procurou sempre esta prática de cuidar e inserir o outro”, apontou, dando como exemplo os muitos carismas que surgiram para encarnar esta matriz cristã.
“A Igreja hoje continua a cuidar, a inserir os débeis e os frágeis, o que nos compromete em relação ao futuro”, frisou o cónego Mário Tavares de Oliveira.
“Hoje, a ação social da Igreja ocupa um lugar insubstituível e em parceria no contexto das políticas do Estado Social. Não por vontade de conquistar poderes nem pela avidez do controlo social, mas pelo imperativo da fidelidade à missão de Jesus Cristo que confirma o espírito cristão em cada época”, sublinhou, dando como exemplo as IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social da Igreja.
“Decorridas que são as primeiras décadas do impulso que muitas comunidades sentiram de constituir as suas IPSS’s, é oportuno fazer uma reflexão sobre a identidade destas instituições, constatar os seus problemas e abraçar os seus desafios”, referiu.
O cónego Mário Tavares de Oliveira abordou ainda os desafios da Pastoral da Saúde e a espiritualidade da Acção Social.
“O texto da Evangelii Gaudium deverá constituir um texto inspirador para as dinâmicas pastorais do próximo ano”, apontou o sacerdote, acrescentando que “o capítulo IV da referida Exortação deverá ser objeto de estudo e reflexão nos vários momentos formativos”.
“Nos planos paroquiais de catequese, seria oportuno incluir alguma ação que sensibilize as crianças e os adolescentes para um compromisso social”, partilhou o cónego Mário Tavares Oliveira com os membros do Conselho Pastoral, acrescentando que a caminhada rumo às JMJ 2023 não será descurada no Plano Pastoral do próximo Ano.
Por fim, deixou ainda o desafio de “redescobrir S. João de Deus, que é um desses modelo de vida cristã para toda a Igreja, com um poderoso testemunho de caridade fraterna”.
De seguida, alguns membros deram sugestões para o próximo Plano Pastoral, tendo sido sublinhada a necessidade de definir objetivos concretos e realizáveis.
No final da reunião do Conselho Pastoral Diocesano, o Arcebispo de Évora agradeceu “as partilhas verdadeiras e transparentes de todos os membros do Conselho Pastoral. Só assim é possível fazer uma Igreja Sinodal”, concluiu D. Francisco José Senra Coelho.

Texto de Pedro Miguel Conceição, in a defesa de 14 de Julho de 2021

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