8 de Maio, às 17H00, na igreja de S. Francisco: CONCERTO CAPELLA DURIENSIS

CONCERTO CAPELLA DURIENSIS
Ensemble Vocal
8 de Maio | 17H00
Programa
In diae tribulationis
Música em tempos de Peste
Preludium
Solo improvisação de órgão*
Missa pro defunctis (Canto Gregoriano):
Introit: Requiem aeternam; Kyrie eleison (alternatim**)
Missa pro defunctis
Tract: Absolve, Domine; Sequentia: Dies Irae (alternatim)
____________
Damião de Góis (1502-1574)
In diae tribulationis
Pero de Gamboa (Mestre de Capela na Sé de Braga c. 1594-c.1596)
O bone Jesu
Damião de Góis (1502-1574)
Ne laeteris inimica mea
Pero de Gamboa
O crux ave
Damião de Góis (1502-1574)
Surge, propera, amica mea
____________
Missa pro defunctis
Sanctus; Agnus Dei (alternatim)
Pero de Gamboa
Surrexit Dominus
Missa pro defunctis
Libera me; In paradisum
Postludium
Solo improvisação de órgão
*As improvisações deste programa serão em diferentes estilos históricos, do barroco ao
contemporâneo, dependendo do tamanho e registos do próprio órgão.
**Adotaremos a prática renascentista do alternatim desses movimentos, nos quais o órgão
improvisa seções alternadas, por sua vez, com o coro.
Notas de Programa
O programa da Capella Duriensis associa música de diferentes períodos (renascentista,
medieval, romântico) e diversas abordagens musicais (improvisadas e compostas) para dar
uma perspetiva multifacetada sobre a experiência da peste e da doença generalizada vivida
na sociedade.
A Missa pro Defunctis em estilo de canto gregoriano é uma coleção de músicas e textos
através dos quais os cristãos tradicionalmente honraram e lamentaram os mortos.
Musicalmente, a missa combina simplicidade (principalmente movimentos como o Kyrie,
Sanctus, Agnus Dei) com melismas ornamentados e decorados (por exemplo o Tract) e
também apresenta o famoso hino ou poema “Dies Irae”. Em contraste com a monodia do
canto gregoriano, incluímos seis motetos polifónicos de compositores portugueses – Pero de
Gamboa (Mestre de Capela na Sé de Braga, c. 1594-c.1596), e Damião de Góis (1502-1574).
O poder expressivo e o controle da sua escrita são notáveis, proporcionando uma profunda
reflexão sobre os textos penitenciais que descrevem. Apenas os dois últimos motetos –
“Surge, propera” (de Góis) e “Surrexit Dominus” (de Gamboa) – partem do tema do
sofrimento e introduzem uma mensagem de reconciliação positiva com o julgamento divino
e a consciência da graça divina.
Notas biográficas:
Jonathan Ayerst – direcção musical
Jonathan Ayerst conquistou reputação internacional como organista de concerto e improvisador.
Após ser nomeado Fellow of the Royal College of Organists (Reino Unido), iniciou um Doutoramento
na Universidade de Sheffield. A sua tese Learning to improvise as a Western Classical Musician: a
Psychological Self-study foi concluída em 2021; um estudo que inclui aulas de improvisação barroca
com Jürgen Essl na Hochschule für Musik und Darstellende Kunst, em Estugarda. Como resultado,
desde 2018 tem dado cada vez mais recitais que incluem improvisações em vários estilos clássicos,
além de workshops que apresentam técnicas de improvisação a músicos com formação clássica,
através de uma mistura de psicologia, filosofia e análise musical. Em 2020-21, filmou um ciclo de
recitais de órgão na Casa da Música (Porto), cada um centrado numa improvisação barroco (incluindo
uma fuga inacabada de J.S.Bach, a Fantasie e Fuga em Dó menor, BWV 562); apresentou-se no
Festival Internacional de Órgão em Santarém e na Temporada de Música de São Roque em Lisboa.
Realiza cinco recitais em Portugal que combinam música coral com improvisações ao órgão, ao lado
do ensemble vocal português Capella Duriensis, ao longo da temporada 2021-22.
Paralelamente, Jonathan Ayerst é o pianista principal do Remix Ensemble, Casa da Música
desde 2000, com o qual atuou em importantes festivais como Wien Modern (Áustria), Wittener Tage
für Neue Kammermusik, Donaueschinger Musiktage (Alemanha), Musica de Estrasburgo, IRCAM de
Paris (França) e Huddersfield Contemporary Music Festival (Reino Unido). Trabalhou com os maestros
Peter Rundel, Emilio Pomárico, Reinbert de Leeuw, Heinz Holliger, Peter Eötvös e Jörg Widmann;
apresentando obras a solo e concertos tais como o Concerto para piano e orquestra de Beat Furrer,
Oiseaux Exotiques de Olivier Messiaen, Klavier Variationen Op.27 de Anton Berg e Kammerkonzert
de Alban Berg. Em 2021 foi convidado como solista para interpretar o Concerto para piano No.1 de
Magnus Lindberg, acompanhado pela Orquestra Sinfónica do Porto, Casa da Música e o maestro
Stefan Blunier. O registo deste concerto foi editado num CD da série “live recordings” da Casa da
Música.
Ensemble Vocal Capella Duriensis
Rita Venda | Soprano
Maria Guimarães | Soprano
Sara Amorim | Mezzo-Soprano
Joana Guimarães | Mezzo-Soprano
Thiago Cruvinel | Tenor
Nuno Raimundo | Tenor
Pedro Ferreira | Barítono
Igor Vale | Baixo
Nuno Mendes | Baixo
Desde a sua fundação em 2010, o Ensemble Vocal Capella Duriensis tem atuado em festivais em
Portugal Continental e Insular, apresentando um repertório que inclui os mais remotos manuscritos
medievais até aos nossos dias. A primeira gravação comercial do grupo, baseada na música do Rito
Bracarense e publicada em 2013, esteve na base de um projeto de rádio especial radiodifundido a
nível mundial pela EBU (European Broadcasting Union) em 2014.
As digressões pelo Reino Unido, em 2012 em Wells e Bristol, estabeleceram o ensemble como
‘embaixadores da música portuguesa’.
As digressões incluíram posteriormente, em 2014-2015, o Reino Unido (Catedral de Truro e Mosteiro
de St. Germans), Londres (St. George, Hanover Square), Holanda (Ciclo Fabulous Fringe, Festival
Internacional Oude Muziek, Utrecht) e Croacia (55th Musical Evenings in St. Donat, Zadar).
O ensemble continua a apresentar-se regularmente em todo o país, entre outros locais, em Leiria,
Alcobaça, Mafra, Coimbra, Braga, Guimarães, Festival “Terras sem Sombra”, ilhas dos Açores e Lisboa.
Foi convidado para o Festival Internacional de Marvão (e dirigido por Christoph Poppen) e tem
participado em várias edições do Festival “Música em S. Roque”, em Lisboa, incluindo a edição de
2021.
O Grupo inicia, entretanto, uma parceria com a editora clássica da NAXOS para um projecto de longo
prazo intitulado “Portuguese vocal masterpieces of the 16th and 17th Centuries. Vol.1”, incluindo a
gravação de vários CD.
A atividade do grupo não se limita à performance em concerto mas também ao ensino, através da
organização de um evento internacional anual de canto coral de que já houve quatro edições,
intitulado “Summer Singing”. Estes eventos têm incluído músicos da maior importância como Simon
Carrington (maestro e fundador dos King Singers) , Alan Woodbridge (Diretor dos Coros da Ópera,
Genebra) e Susan Waters ( Guildhall School, Londres). É dirigido, desde a sua fundação por Jonathan
Ayerst.

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