Mensagem do Arcebispo aos padres de Évora no dia do Santo Cura de Ars

A Igreja celebra hoje (4 de Agosto) a Festa do Presbítero São João Maria Vianney, também conhecido pelo Santo Cura de Ars (1786-1859). Foi canonizado pelo Papa Pio XI, em 1925, e proclamado Patrono dos Párocos, pelo mesmo Papa, em 1929.

Saúdo todos e cada um dos Presbíteros que servem como Pastores os diversos Ministérios da nossa Arquidiocese. Seja-me, porém, permitido que saúde hoje, com especial ênfase os Párocos, Administradores e Vigários Paroquiais, bem como todos os Presbíteros comprometidos com apoios pastorais directos às Paróquias, afinal todo o Presbitério Eborense.

Com Amizade, me dirijo pessoalmente a cada um vós para vos dizer Muito Obrigado pelo vosso esforço e sacrifício tantas vezes desconhecido, ignorado e até estratégica e ideologicamente desvalorizado; pela vossa total dedicação ao Povo, sobretudo aos mais débeis, sós e sem voz, oferecida na gratuidade do silêncio anónimo; obrigado pela normalidade quotidiana da vossa heroicidade no modo como assumis a radical entrega da vossa vida, apesar do modo irrelevante, indiferente e alheado com que alguns interpretam e lêem as vossas qualidades humanas e o valor espiritual, socio-cultural e pró-patrimonial dos vossos esforços e serviços prestados à sociedade, onde também se integra a Igreja, e pelo modo demagógico com que alguns hipervalorizam e de modo exaustivamente repetido e ampliado divulgam os nossos erros e limitações humanas. Muito obrigado e Bem Haja a cada um de vós!

Pelos nossos erros, limites e pecados, assumindo-os todos, como vosso Bispo, em meu e vosso nome: Peço perdão a Deus e aos Homens!

Sei que a vossa entrega é gratuita, sem nada esperardes em troca, senão a alegria do cumprimento da  vontade de Deus, porém a gratidão que exprimo é o eco da acção de graças do Povo de Deus, das nossas queridas comunidades, dos nossos Bons Cristãos pelo seu generoso e doado Presbitério.

Espero e desejo que após um ano tão exigente como foi o pretérito Ano Pastoral, marcado pelas inesperadas vicissitudes da pandemia, todos consigam algum tempo livre, com mudança de ambiente, para descanso físico, repouso da mente, do espírito e da alma.

Que a contemplação da natureza, a visita aos álbuns das boas memórias familiares e a renovação provocada pelo encontro com os Amigos, nos refaça para as exigentes lides que já antevemos para o próximo Ano Pastoral 2020-2021.

Que com o Santo Cura de Ars, renovemos na oração a nossa Alegria de servir o Evangelho e com Maria actualizemos diariamente o nosso Sim a Cristo, apresentando-O como Ela O apresentou aos irmãos, nas incomparáveis alegrias proporcionadas pelo nosso Ministério.

Ao felicitar os nossos caríssimos Sacerdotes no Dia do Santo Cura de Ars, volto a felicitar os colegas em Ano Jubilar de Bodas de Ouro e Prata Sacerdotal e agrego os nossos estimados e esperançosos Seminaristas ao meu abraço Amigo, fraterno e pastoral, pedindo a todos os Cristãos da Arquidiocese orações redobradas por cada Padre, sobretudo pelos mais doentes, idosos e, porventura, sós e pelos nossos Seminários com os seus formadores, seminaristas e vocações em crescimento e amadurecimento ainda em Pré-Seminário.

Neste fim de Ano Pastoral, em início de Agosto, a todos coloco sob o olhar de Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira.

Unido na Oração e na Missão,

+ Francisco José, Arcebispo de Évora

 


 

Memória
4 de Agosto
São João Maria Vianney
presbítero(1786-1859)

 

Nasceu perto de Lyon, em França. Cresceu durante a revolução francesa. Após grandes esforços e dificuldades, conseguiu chegar ao sacerdócio em 1815. Três anos depois, tornou-se o primeiro Pároco de Ars. Animado pelo grande desejo de ser um verdadeiro pastor, com bom carácter, simples, humilde, sincero, com extraordinária capacidade de sacrifício, conseguiu converter a sua Paróquia, outrora indiferente, transformando-a numa comunidade exemplar.Durante 40 anos, Ars tornou-se um centro de atracção. Inúmero público da Europa e da América aproximava-se cada vez mais do seu confessionário, pedia conselho ou uma palavra de luz e conforto.Com extrema simplicidade de meios, a sua pastoral teve uma eficácia insuperável. A sua pregação convertia e fortalecia a fé e a vida cristã. A força da sua acção sacerdotal vinha do testemunho da sua vida pobre, penitente, toda feita de fé, caridade, doação e de dons carismáticos que Deus lhe concedia. Morreu extenuado aos 73 anos de idade. Pio XI canonizou-o em 1925 e em 1929 proclamou-o patrono de todos os sacerdotes.

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