Dioceses do sul apelaram a uma «cultura vocacional», nas jornadas de atualização

As Jornadas de Atualização do Clero das dioceses do sul de Portugal terminaram, no dia 19 de janeiro, com o apelo a uma “cultura vocacional”, feita aos 72 participantes – bispos, sacerdotes, diáconos e alguns seminaristas – que se reuniram em Albufeira, sintetizou a Agência ECCLESIA.
“Gostaríamos muito que houvesse uma mudança de consciência que é a partir da cultura vocacional que teremos também uma pastoral juvenil comprometida na descoberta do seu caminho, uma pastoral que não é um ATL de sabor cristão, mas é um compromisso de caminho de construção, de crescimento interior de cada um, de vencer a banalização e uma atitude muitas vezes de vida descomprometida, mas o descobrir-se naquilo que é o seu caminho”, disse o arcebispo de Évora citado pelo jornal ‘Folha do Domingo’ (Diocese do Algarve).
D. Francisco Senra Coelho afirmou que, “sem uma cultura vocacional não haverá uma Igreja sinodal”, e explicou que a cultura vocacional significa “a consciência de uma missão, de uma pretensa, de uma vinculação, de uma fidelização”, não de um mero espetador, de alguém que vai à igreja, “mas que é Igreja”.
As dioceses do Algarve, de Beja e de Évora, que formam a Província Eclesiástica de Évora, prolongaram o biénio vocacional que estavam a viver, para responder à dinâmica da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023; este tempo especial dedicado à Pastoral Vocacional decorre até ao final deste ano pastoral 2023/2024, tornando-se um triénio.
“Precisamos de mudar a nossa pastoral para uma cultura vocacional e isto tem de estar presente na formação dos catequistas ou dos dirigentes do escutismo, nos professores de Moral [EMRC]. Tem de estar presente antes de tudo em nós, os pastores da Igreja”, acrescentou o arcebispo de Évora, salientando que o ministério sacerdotal “tem de ter este sabor e este odor de missão e ao mesmo tempo de vocação”.
‘Igreja Sinodal, uma Igreja atenta aos Sinais dos Tempos’ foi o tema das Jornadas de Atualização do Clero do Sul, realizada entre 16 e 19 de janeiro, e reuniu 72 participantes, entre bispos, padres e diáconos das Dioceses do Algarve, Beja, Évora e Setúbal, que contou com a presença do núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) em Portugal, D. Ivo Scapolo.
No contexto da próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude, que se vai realizar de 1 a 6 de agosto, em Lisboa, D. Senra Coelho disse que o clero que “deve ser fermento de levedura, de entusiasmo, de consciencialização”, de comunidades que possam estar paradas, “que ainda não acordaram a menos de 200 dias” da primeira JMJ em Portugal.
“A consistência do que vai ficar tem muito a ver com aquilo que foi preparado, com os alicerces que foram lançados”, salientou o arcebispo de Évora.
No contexto da jornada de formação do clero, nomeadamente a inteligência artificial, o bispo do Algarve partilhou a preocupação em ajudar os jovens a “preparem-se para esse futuro”, um mundo que não deve assustar mas “deve entusiasmar e, sobretudo, interpelar”.
“Como podemos preparar os nossos jovens para viverem nesse mundo e como nós próprios devemos usufruir também desse mundo que está a chegar”, disse D. Manuel Quintas.
O bispo do Beja, D. João Marcos, destacou que esta jornada traz “elementos importantes” para o trabalho pastoral dos participantes, enquanto o administrador diocesano de Setúbal, padre José Lobato, realçou as “perspetivas variadas, mas convergentes da sinodalidade e a projeção desta na pastoral juvenil”, lê-se no jornal ‘Folha do Domingo’.

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