Irmã do Cónego Salvador Dias Terra faz agradecimento público

Saúde, Graça e Paz

Permitam-me que vos saúde com estas palavras que, seguramente, muitos ouviram da boca do nosso querido Padre Salvador Dias Terra, meu irmão.

Ao aproximar-se o trigésimo dia de sua morte (que prefiro chamar partida para junto de Deus) não posso e não devo deixar de fazer um agradecimento público sobre o modo como se desenrolaram as manifestações um pouco por toda a Arquidiocese, nomeadamente em Coruche, Montemor-o-Novo, Alcáçovas/Torrão e Évora. De realçar a celebração de Eucaristia,
dia 2 às 20h30, na Igreja de S. Francisco, que conseguimos ver e ouvir à distância,
pelo empenhado trabalhado e aproveitamento das novas tecnologias para o efeito.

Um agradecimento especial à Maria do Anjo, ao Paulo Roque e ao Senhor Padre Ricardo que
presidiu à celebração da Eucaristia. Sei que estas coisas, hoje em dia, acontecem muito
rapidamente devido às redes sociais mas sem o empenho, capacidade mobilizadora da Maria
do Anjo e de todos os Cursistas e Amigos, isto não teria sido possível. Não seria igual. Bem Haja
a todos os que estiveram presentes ou puderam acompanhar à distância esta União, esta
Celebração e Homenagem. Homenagem ao Servo de Deus, Padre Salvador.

Foi um momento único. Grandioso.

Obrigada. Obrigada a todos os que sentiram a sua partida, manifestaram o seu afeto pelo
nosso Salvador e que de uma forma ou de outra continuam a tê-lo presente nas suas vidas,
recordando o seu sorriso, a sua generosidade, as suas palavras. Permanecerá para sempre nos
nossos corações.

Amar a Deus ajudando o próximo, nas pequenas e grandes coisas. Este era o seu Lema de
Vida. Viveu o seu Sacerdócio com paixão, alegria, entrega incansável e generosa aos Irmãos.

A Igreja para se manter Viva, Segura, Forte, tem de ter bons alicerces. E o nosso Padre
Salvador, com o seu exemplo e dedicação total à Igreja, faz parte destes alicerces. Louvado
seja Deus.

Detentor de uma espiritualidade imensurável, foi também um obreiro, no sentido de “pôr
as mãos na terra”. Trabalhava, por vezes, até à exaustão, mas a sustentabilidade do
Seminário assim o exigia. Nunca teve medo de “sujar as mãos na terra” na Quinta de Santo
António… menina dos olhos dele. Tempos difíceis, muito exigentes para ele, mas sempre
ofereceu os sacrifícios ao Senhor, com o sorriso e a sua bondade – que todos nós constatámos.

Mais tarde e quando as forças não permitiam no percurso misterioso da doença e sua
complexidade… ele dirigia-se todos os dias para a Sé onde, após a celebração diária, permanecia
junto ao altar do Santíssimo, rezando, lendo, ouvindo o silêncio e aguardando. Aguardava que
alguém o pudesse procurar para falar, confessar ou simplesmente estar. Com tempo. Com
paciência para ouvir e comunicar. Ao final do dia, quando acontecia falarmos ao telefone, com
alegria ele dizia “hoje atendi em confissão, durante a manhã, uma/duas/três pessoas”. Que bom,
sermos úteis e sentirmo-nos úteis.

Mas não é menos importante sentir-se apoiado quando as nossas capacidades começam
a atraiçoar-nos e deixamos de ser cuidadores para sermos cuidados…

…Há momentos na vida de todos nós em que isso acontece ou poderá vir a acontecer. Ele
precisou desses cuidados e teve-os graças aos amigos – e não vou personalizar pois são
muitos (alguns que não conheço), e às Irmãs, Servas de Deus, que de tantas formas ajudaram.

Depois, bem depois, quando já não foi possível manter-se em Évora, por dificuldades de
várias ordens, regressou às origens, à sua terra Natal, onde sempre gostava de vir e estar mas,
sempre com o pensamento no seu Alentejo – dois dias depois, olhava para a mala e queria
regressar a Évora. Tempos difíceis. Difíceis, duros e penosos, mas gratificantes. Muito. Quando
à noite o ajudava a deitar-se e ele me agarrava as mãos e dizia “Vá… Força, Coragem, Confiança”
ou me pedia um abraço e dizia “Obrigado. Meu Deus, meu Tudo. Minha Mãe, minha Confiança.
Bendito seja Deus”. Sim, estes são momentos inesquecíveis. Muito gratificantes.

Um agradecimento a todos os que puderam estar presentes nas cerimónias fúnebres e aos
que não puderam mas gostariam de ter estado presentes, ao Professor Gil Malta, que numa
hora de angústia me apoiou e escreveu o texto para a pagela da memória, e ao Senhor Reitor
de Avanca, Padre José Henriques, que preparou a cerimónia com o afeto e dedicação que
todos reconhecemos.

Especial agradecimento ao Senhor Arcebispo D. Francisco Senra, que apesar de se encontrar
em período de convalescença, veio presidir à cerimónia fúnebre, bem como ao Senhor
Bispo Emérito D. José Alves que também esteve presente.

Um muito grande e sincero obrigada. Um bem-haja a todos.

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