Jornadas realizaram-se em Évora: Pastoral Socio-Caritativa refletiu sobre a resiliência (com Podcast)

O departamento diocesano da Pastoral Socio-Caritativa e a Cáritas Arquidiocesana de Évora realizaram, na  manhã de 14 de janeiro, as Jornadas da Pastoral Socio-Caritativa, no auditório da Fundação Eugénio de Almeida, em plena acrópole da cidade eborense.

Centradas no tema da “resiliência”, as jornadas contaram com a participação de especialistas e apresentação de casos concretos de boas práticas.

Para o diretor do Departamento Sócio-Caritativo, cónego Silvestre Marques, as jornadas procuraram “dar a conhecer o ideal da Cáritas e a Pastoral diocesana no âmbito social, e por isso mesmo é ocasião de atualização quer do ponto de vista social como teológico e pastoral. É uma forma de estarmos ao corrente das realidades em que estamos inseridos e atualizados nas respostas que somos chamados a dar”.

“Por outro lado, é uma ocasião concreta que oferecemos aos colaboradores da Cáritas e aos colaboradores das IPSS ligadas à Igreja para fazerem a sua formação que regularmente se faz nas Instituições”, acrescentou, sublinhando que as Jornadas realizadas no passado sábado contaram com uma participação “bastante boa” dos vários públicos-alvos.

“Pelo momento histórico que vivemos e pela situação em que se encontra a sociedade portuguesa e o próprio país, entendemos que estando numa situação tão dramática a vida social e as respostas sociais, entre as quais a saúde e a educação, que são valências que a Cáritas também se ocupa, procurámos nestas jornadas ouvir Instituições que nos falaram da realidade em que se encontram e, por sua vez, do sufoco em que se encontra a grande maioria, senão mesmo, a totalidade das Instituições sociais”, revelou o responsável.

“Durante a manhã de sábado fizemos essa leitura da realidade, auscultamos várias respostas sociais e escutámos a intervenção de alguém especialista neste campo, que nos fez uma leitura académica e intelectual e de fundo sobre as problemáticas sociais, económicas e financeiras com que se debate o mundo inteiro, a União Europeia e a sociedade portuguesa. Por isso, convidámos o professor da Universidade Autónoma, Arlindo Donário, que nos brindou com mais uma das suas muitas e eruditas intervenções, que agradou ao auditório da Jornadas e que naturalmente fundamentou  e ilustrou muitas das problemáticas que foram abordadas”, desenvolveu o Cónego Silvestre Marques.

“Em suma, as Jornadas tiveram sucesso e estamos muito satisfeitos, quer pela participação do público, quer pelas intervenções, sobretudo pelo alto nível cultural que caracterizou as nossas jornadas”, sintetizou o responsável.

“A nossa resiliência vai muito mais além das realidades duras que temos que enfrentar”

“A nossa resiliência vai muito mais além das realidades duras que temos que enfrentar e que nos dizem que temos que aguentar e continuar”, explicou o Cónego Silvestre Marques, que acrescentou que “começa por ser uma resiliência inteligente, que se fundamenta nos critérios justiça e de dignidade da condição humana e que compreende-se numa altura em que a leitura feita, pelas Instituições, ao longo dos últimos meses, e também pelos académicos, tem sido muito na linha de pôr em evidência as várias crises em que nos encontramos no mundo da saúde, da segurança social, da economia, no mundo e na vida, sobretudo, dos mais frágeis”. “Nós, por exemplo, ouvimos dizer às autoridades que há em Portugal 4 milhões de pessoas no limiar da pobreza. E é evidente que esses 4 milhões são quase metade do país e não sei nos restantes não haverá uma percentagem de pessoas que vivem ‘à pele’, ou seja, gastam tudo aquilo que recebem. Portanto, face a esta situação não há dúvida absolutamente nenhuma que era preciso dotar e aconselhar as Instituições a viver esta atitude de resiliência”, afiançou o Diretor do Departamento diocesano da Socio-Caritavivo”, justificando que “temos a sensação que muitas vezes o que nos é pedido é que estejamos caladinhos e mansinhos”. “Muitas vezes aparecem promessas de mundos e fundos, a vários níveis, programas, plataformas, abertura de candidaturas, mas depois passamos, por vezes, mais de um ano à espera do resultado e entretanto investimos, muitas vezes, sem possibilidade de reaver o investimento. E isto significa que o que nos estão a pedir é que perante isto aceitemos, calemos, estejamos sossegadinhos porque o nosso patrãozinho, que é o Estado, cuida de nós com esmero, o que nós podemos testemunhar em sentido contrário em muitas das situações em que nos encontramos”, destacou o responsável. 

“Portanto, era necessário reflectir sobre isto, perguntarmo-nos uns aos outros qual é a resiliência que nos interessa, que também nos é devida, mas que não abate a nossa dignidade humana. Ora bem, quer as Instituições quer o orador falaram magistralmente e com conhecimento de causa daquilo que exige a atual situação, já com experiências concretas de luta e de resiliência permanente para sobreviver ao estado em que nos encontramos que é verdadeiramente dramático”, concluiu o Cónego Silvestre Marques.

Texto: Pedro Miguel Conceição

 

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