Mora assinala o dia da sua Padroeira, Nossa Senhora da Graça

No passado Domingo, dia 3 de Maio, Mora viveu um dia grandioso que ficará na nossa memória como uma grata recordação. O IV Domingo do Tempo da Páscoa era o Domingo do Bom Pastor, o dia mundial de Oração pelas Vocações e o dia da Mãe, razões providenciais para a Comunidade de Mora rejubilar com o dia da sua Padroeira, Nossa Senhora da Graça. Para o assinalar, organizou-se uma visita da Imagem da Padroeira, numa viatura engalanada, por todas as ruas de Mora.
Eram muitas as razões para fazer festa. O Tempo da Páscoa é, por si próprio, um tempo ditoso. Nele celebramos a passagem, abertura, Páscoa, brecha de luz, onde a vida brota e se difunde em comunhão. É abertura e acesso ao segredo divino. É ser também porta aberta, atravessada por muitas vidas!
O mês de Maio, por outro lado, vive-se na sublimidade da maternidade. No primeiro Domingo deste mês acontece sempre a celebração do dia da Mãe e Mora escolheu, há dois anos, esse dia para celebrar precisamente a sua Mãe e Padroeira, Nossa Senhora da Graça.
Todos sabemos a carga emocional que o termo Mãe acarreta consigo. Mãe é intimidade, sigilo dos segredos, acolhimento do cansaço, revelação da dignidade, aconchego nas lágrimas. Perante o dom da maternidade tudo se torna mais espontâneo, mais livre, até o sofrimento e a morte se revestem de outra vivência.
Como preparação, tivemos a celebração duma «Novena» transmitida em direto na página do Facebook da Paróquia. Na celebração da Vigília da Festa, o nosso pároco, P. Nelson Fernandes, consagrou toda a Comunidade a Nossa Senhora da Graça, em tempos de pandemia e de grandes tribulações. E aconteceu algo extraordinário: em vez de serem os fiéis a deslocarem-se à igreja para participar na tradicional procissão, foi a imagem de Nossa Senhora que visitou cada rua, cada família, cada lar.
A solenidade iniciou com a celebração da Eucaristia transmitida via Facebook como temos feito habitualmente, nestes tempos de confinamento. Pelas 15h, iniciou a solene “procissão”. Aparentemente pequena, apenas dois automóveis, porém, tornou-se enorme com tantos corações que a ela aderiram. Foram momentos muito profundos e interiormente bem vividos. Foi ternurento ver os utentes da Unidade de Cuidados Continuados e do Lar da Santa Casa da Misericórdia com as funcionárias, reunidos como bela porção do Povo de Deus que o são! Por outro lado, os dois cordões humanos que habitualmente constituem as procissões converteram-se em ruas cheias de fiéis, em famílias reunidas junto da Mãe, em corações que cantavam cânticos de louvor e em lágrimas que traduziam as suas preces e ações de graça. Findo todo o percurso, pelas 19h, regressámos à igreja paroquial com o coração pleno de alegria e de louvores ao Bom Deus que tanto nos ama.
Sentiu-se bem a palpitar a alma do povo morense, inundada de sentimentos cristãos e valores fraternos. Nossa Senhora tocou-lhe no coração e, uma vez mais, brilhou como a mensageira da paz, desafiando-nos a viver em Comunidade. Na ornamentação das casas, nas ruas engalanadas, nos rostos radiosos, nas pequenas multidões de cada rua, nos gestos de devoção, estava bem espelhado o sim agradecido de todo este povo à sua Mãe do Céu, Senhora da Graça. Maria é a primeira crente a abrir o Caminho que é Jesus. Por este caminho queremos ir, fazendo da vida uma contínua peregrinação.
Era como se estes dias de afastamento social, em vez de nos afastar realmente uns dos outros e da vivência da fé, tivessem antes, gerado ainda mais fome e sede de Deus e dos irmãos, sob o manto protector da Virgem Mãe. Este tempo que estamos a viver só nos pode deixar mais fortes e disponíveis para a vivência da fé. “Vai ficar tudo bem”, sim, mas se ficarmos mais fortalecidos na fé e no amor de Deus.
Nossa Senhora da Graça, rogai por nós!

Paróquia de Nossa Senhora
da Graça – Mora

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