Pároco de Reguengos de Monsaraz: «Maior apoio» para instituições que «procuram fazer o melhor»

O pároco de Reguengos de Monsaraz afirma a necessidade de maior apoio às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), entidades que, sublinha, “procuram fazer o melhor”.
“As IPSS tem de se juntar e exigir mais meios, porque há que as apoiar. Trata-se de uma IPSS e quero acreditar que todas querem o melhor. Às vezes não têm meios, mas quero acreditar que fazem o melhor com os meios que têm”, explica o padre Manuel José Marques à Agência ECCLESIA.
Um surto de covid-19 vitimou 18 pessoas no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, na cidade de Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora; foram cerca de 80 utentes infetados e 26 profissionais, mas o surto espalhou-se pela comunidade.
O pároco da cidade dá conta de surpresa, preocupação e cuidado entre a população com o decorrer dos acontecimentos.
“As pessoas refugiaram-se em casa, perceberam que os números aumentaram – de um caso de repente passou-se para 50… todos temiam pela sua saúde, e não sabiam como se podia disseminar nas restantes pessoas”, relembra o padre Manuel Marques.
A maior preocupação, nota, era a falta de cuidado com os utentes: “Se as funcionárias estavam infetadas, quem cuidaria dos idoso? Esse era o cuidado, mas a proteção civil tentou resolver o problema e houve mais pessoas disponíveis para ajudar. Houve uma solidariedade grande que se sentiu, gestos de disponibilidade apesar de nem todos terem sido necessários”, dá conta.
Aos poucos a população começa a reagir e já se nota maior movimentação nas ruas.
“Há um certo receio que regresse ou surja outro foco. Isto pode repetir-se muitas vezes, há na população em geral receio e cuidado. Mas nota-se que as celebrações de domingo são mais participadas, algumas pessoas curadas já chegam a participar nas missas, as esplanadas estão mais cheias, mas com muita precaução”, indica.
Responsável por outras instituições em Reguengos que prestam cuidados a população idosa, o padre Manuel José Marques manifesta algum ceticismo quanto à falta de um plano na Instituição onde o surto de Covid-19 teve início.
“Não quero acreditar que uma instituição não tenha um plano, com maior ou menor rigor, até porque a Segurança Social o exigiu. Na população em geral nota-se que havia coisas que funcionavam menos bem, e talvez algumas coisas menos correctas, mas fala-se e não se sabe se corresponde à verdade, porque nós entramos no lar e as pessoas estão bem e felizes”, indica.
O padre Manuel Marques fala de um trabalho “necessário ao minuto”, para apoiar a população mais idosa e, se “de repente 80% da população do lar está doente, a situação da instituição fica preocupante. Os idosos estão a precisar de apoio a todo o minuto. Se 80% das funcionárias não podem ir trabalhar, imagino que possa ter havido alguma preocupação até encontrar o caminho para resolver”.
Enquanto pároco, o acompanhamento à comunidade cristã foi feito na igreja, nas celebrações, mas também através das redes sociais e com muitos telefonemas.
O pároco valoriza ainda a proximidade do arcebispo de Évora que se manteve ao corrente de toda a situação e manifestou vontade de se deslocar ao local para acompanhar as pessoas.
“As pessoas ficaram muito emocionadas e agradecidas com a sua proximidade”, afirma.
Desde há “29 dias” sem novos casos, o padre Manuel José Marques espera que a situação em Reguengos venha a ser apenas “uma má memória” mas indica a “grande aprendizagem a fazer”.
“Houve funcionárias da instituição que por não terem testado positivo estiveram com dedicação e a tempo inteiro a trabalhar a favor dos idosos, na ausência das colegas e alguns voluntários que chegaram de outros pontos do país para ajudar os idosos. É de valorizar estes gestos”, finaliza.

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