Proposta Pastoral: A Palavra de Deus e o nosso Domingo

1- A pandemia que a todos nos limita e confina, começou por ser sanitária, porém transformou-se progressivamente em “poliédrica”, contagiando outros sectores: a Economia, as Famílias, os diversos Sectores Profissionais, a Escola e o Ensino Superior, e sobretudo os Hospitais e os diversos serviços de Saúde, e a Justiça, tornando-se numa questão com consequências sociais preocupantes e múltiplas, sempre com a marca da recessão económica e do empobrecimento. Neste multiforme mosaico de aspectos atingidos como consequência da pandemia, também se encontra a Igreja e a sua Liturgia.

Com a finalidade de acompanhar e apoiar espiritualmente as famílias neste contexto, solicitei aos Departamentos Arquidiocesanos da Pastoral Litúrgica e da Educação da Fé dos Adultos e do Apostolado dos Leigos um serviço que leva a cada família que o deseje, o apoio espiritual e a solicitude pastoral. Conforme concretizou o Cónego Francisco Hipólito Couto, Director do Departamento de Pastoral Litúrgica, trata-se de uma “proposta para a Liturgia Familiar, a partir da Palavra de cada Domingo. Será um vídeo e pretende que, para além da participação na Eucaristia, a família possa rezar junta e partilhar entre si a Palavra, olhando a sua vida, com as suas riquezas e fraquezas, mas construindo mais amor e mais verdade”.

Trata-se de um trabalho de conjunto entre os dois Departamentos que muito apreciamos e agradecemos, esperando que as famílias saibam aproveitar e usufruir de mais esta proposta e contributo dos serviços da nossa Arquidiocese que serão disponibilizados nas suas páginas (dioceseevora.pt e Facebook).

2 – Recentemente, na Conferência que encerrou o encontro de Pastoral Litúrgica da Diocese de Viana do Castelo, sobre o tema “Liturgia e Comunidade perante novos desafios”, o senhor Cardeal D. José Tolentino Mendonça afirmou que “se é verdade que as transmissões não podem ser consideradas celebrações, porque falta a presença física do corpo dos fiéis, deve-se valorizar a casa, os lares que se transformaram em locais de celebração da fé. As crises apresentam sempre uma oportunidade, e há coisas boas a surgir que devem ser aproveitadas. Uma delas é o reconhecimento do lugar, da casa, como local de reunião e celebração de fé. Sempre se falou nas igrejas domésticas. Pois este é o tempo para se potenciar e se redescobrir as igrejas domésticas nas famílias”. D. José Tolentino recordou ainda que: “as primeiras igrejas cristãs foram precisamente a casa de cristãos a “oika” [casa] e só depois é que vieram as “eclésia”, igrejas maiores, onde cabiam mais fiéis. A casa deve ser vista como lugar de construção da Igreja Cristã, lugar de celebração da Fé”. Este contributo reflexivo, que agradecemos, vem na linha do nosso discernimento sobre a genuína eclesialidade deste apoio às Igrejas Domésticas da nossa Arquidiocese.

3 – Rezemos a Deus para que muito em breve possamos voltar a encontrarmo-nos comunitariamente nas nossas Paróquias e aí celebrarmos a alegria da nossa Fé, encontrando-nos com Cristo presente na Assembleia reunida, na Palavra proclamada e acolhida, na Eucaristia celebrada e comungada e no Ministério do Sacerdócio Ordenado, que em nome de Cristo anuncia, consagra e congrega. Permaneçamos confiantes no Senhor e mantenhamo-nos Discípulos Missionários da Esperança.

Évora, 9 de fevereiro de 2021

   + Francisco José Senra Coelho
Arcebispo de Évora

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