Catequeses do Arcebispo de Évora – Quaresma e Semana Santa 2021 (Vídeo e Texto)

Catequese em Semana Santa com o Arcebispo de Évora, publicada no dia 31 de Março:

Catequese em Semana Santa com o Arcebispo de Évora – Texto

“VINDE A MIM”

  1. Proclamação da Palavra de Deus

25Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado.
27*Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.»
«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. 29*Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

 

  1. Catequese

A ternura de Deus revela-se como um bálsamo para a alma nestas palavras de Jesus. O início deste capítulo 11 do Evangelho de Mateus começa com um episódio significativo: João Baptista estava encarcerado e manda os seus discípulos perguntar a Jesus: “És tu aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?” Nesta passagem que acabámos de escutar, Jesus enche de confiança os que O interrogam desfiando-os: “-Vinde a mim!”. A adesão a este convite de Jesus foi a primeira página escrita pelos seus discípulos. Sem se darem conta, iniciavam um caminho que muitos outros também iriam percorrer, fascinados pelo convite de Jesus: “-Vinde a mim, todos vós!”

O amor de Deus por nós revela-se por convites acompanhados de sinais que fascinam e atraem. Foi assim ao longo de todo o Antigo Testamento: Abraão podia ter dito não, ao Senhor; Moisés podia ter-se deixado paralisar pelo medo de voltar ao Egipto onde era procurado como assassino; Isaías e Jeremias poderiam ter silenciado o chamamento de Deus; Elias poderia ter ignorado a missão que lhe era confiada… mas decidiram dizer “Sim” ao Senhor porque as suas palavras estavam revestidas de confiança e o seu coração ditou-lhes que podiam abraçar o convite que lhes era feito. Por eles, Deus falou, agiu, admoestou, perdoou, renovou a sua Aliança. No início da sua vida pública, Jesus convida os que deveriam ser seus discípulos para uma nova história de amor inscrita nos seus desígnios de salvação. Por eles, Deus continuaria a realizar as suas maravilhas a favor do seu povo.

O convite de Deus quando encontra, da parte do homem, um coração disponível, faz derramar os seus dons sobre a humanidade inteira. O Concílio Vat. II, na Constituição sobre a Igreja, Lumen Gentium, ensina-nos que “todos somos chamados à santidade” e, por isso, candidatos a acolher os convites de Deus na nossa história pessoal e comunitária. Deus não calou a sua voz, não esgotou o seu amor e continua, hoje, a dizer-nos: “-Vinde a mim!”.

As vozes enganadoras do mundo de hoje também lançam fortes convites ao coração do homem, que não raras vezes, se deixa ludibriar pelas suas propostas tentadoras e ilusórias. O resultado é um dramático débito de esperança que caracteriza a sociedade em que vivemos, lançando grandes apreensões quanto ao futuro da humanidade. Muitos sentem-se à deriva, buscando freneticamente o que é imediato, fútil e passageiro. Cada sensação ilusória traz consigo uma frustração maior e um desencanto mais profundo. Mas não tem que ser assim. O Senhor continua a falar e a sussurrar-nos ao ouvido: “-Vinde a mim, vós que andais cansados e oprimidos: Eu vos aliviarei”.

Os convites de Deus abrem caminhos de esperanças e anunciam itinerários de salvação. Seguir a sua lei não é um modo de subjugação porque a lei de Deus brota do seu coração amoroso e visa o nosso bem maior. É certamente uma lei exigente, como exigente é a voz dos pais para os seus filhos, mas é cheia de amor e de ternura. Deus quer o nosso bem e a nossa felicidade. “De tal modo o Pai nos ama, que enviou o seu Filho ao mundo.” Deus não nos quer do seu lado para nos subjugar, mas para nos libertar. Só n’Ele encontramos a felicidade que não engana.

A pretensão da modernidade de que é preciso eliminar Deus da história para sermos livres, é um nefasto ensinamento e um dos maiores enganos do nosso tempo. Mais sábias são as palavras dos discípulos, que confrontados com a radicalidade da sua opção, dirão: “aquém iremos, nós, Senhor, se só Tu tens palavras de vida eterna?” Deus não é nosso concorrente, antes, é nosso companheiro de viagem. Na estrada de Emaús, Jesus caminha connosco e mostra-se ao partir do pão, enquanto os corações daqueles dois discípulos se inflamavam de entusiasmo. Deixar Jesus entrar no nosso convívio, ter ousadia de O deixar caminhar ao nosso lado e na nossa estrada é uma aventura transfiguradora para a nossa vida. Jesus convida-nos à sua companhia, quer caminhar connosco para nos fazer redescobrir a felicidade que não engana.

Se pretendêssemos encontrar um modelo de aceitação do convite de Deus para a realização dos seus desígnios, Maria é certamente a criatura singular que nos pode ensinar o caminho frutuoso de quem aceita o convite do Senhor. É a realização da Igreja chegada à Pátria, consumada no fim dos tempos. Porque aceitou confiar nas palavras do Arcanjo, experimentou a alegria plena e a bem-aventurança eterna. Maria soube dizer “Sim” e soube permanecer na fidelidade ao “Sim” dado. É esse o caminho da sua glória, da elevação da humanidade até Deus. Não o caminho onde Deus oprime o homem, mas faz dele um verdadeiro protagonista e continuador da obra da criação.

O pior que nos poderia acontecer seria deixarmo-nos apoderar dum espírito negativo que paralisa e faz desmoronar as razões da nossa esperança. Nós sabemos em quem acreditamos e sabemos que as suas palavras não nos enganam nem nos escravizam. O convite de Jesus a que sigamos os seus passos e permaneçamos no seu amor é o segredo para a renovação da esperança. Longe de Deus, estaremos irremediavelmente, mais longe uns dos outros e seremos, cada vez mais, estranhos uns para com os outros; com Deus, acolhendo o seu convite, redescobriremos a beleza de sermos irmãos em Cristo e convivas do seu banquete.

Que o nosso caminho comum, desde o início da Quaresma até à celebração do mistério da Páscoa, nos aproxime mais de Deus e uns dos outros, para sermos profetas no meio  do mundo, sedento de luz e de esperança.

 

  1. Salmo 120: Levanto os meus olhos para os montes

 

  1. Oremos: Deus eterno e omnipotente,

que para dar aos homens o exemplo de humildade,

quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem

e padecesse o suplício da cruz,

fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão,

para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R: Ámen!

 


Reveja a 5ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora, publicada no dia 24 de Março:

5ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora – Texto


Reveja a 4ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora, publicada no dia 17 de Março:

4ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora – Texto


Reveja a 3ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora, publicada no dia 10 de Março de 2021:

3ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora – Texto


Reveja a 2ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora, publicada no dia 3 de Março de 2021:

2ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora – Texto


Reveja a 1ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora, publicada no dia 24 de Fevereiro de 2021:

1ª Catequese Quaresmal do Arcebispo de Évora – Texto

 


Reveja aqui a Apresentação das Catequeses Quaresmais – 17 de Fevereiro, às 19h15

O Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho, realiza Catequeses Quaresmais todas as Quartas-feiras da Quaresma (dias 17, 24 de Fevereiro e dias 3, 10, 17, 24 e 31 de Março), às 19h15.

As Catequeses serão transmitidas nos canais digitais da Arquidiocese (Facebook e dioceseevora.pt) e na Televisão Canção Nova Portugal, sendo que a primeira catequese, de 17 de Fevereiro, será apenas transmitida nos canais digitais diocesanos.

 

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