“Reguengos é uma terra de gente feliz”, diz o padre Manuel José Marques

Aos 60 anos, o padre Manuel José Marques, com 36 de sacerdócio, já leva duas décadas no concelho que aprendeu a amar. Ora se o lado racional e as decisões práticas, ficam para as entidades responsáveis, a Igreja procura cuidar do lado espiritual dos que sentem essa necessidade. E são muitos, os que, de repetente, recorrem ao Divino, percebendo que há muito mais do que a vida “perfeita” que querem mostrar.
“A pandemia trouxe-nos uma evidência: a ciência não responde a tudo, não é tão imediata como queríamos, nem tão exata como pensamos”, diz o sacerdote. “Nós somos humanos e quando nos damos conta disso, precisamos do divino. Não é paliativo. É mesmo, eu preciso de alguém que me dê a mão e me levante de verdade, do meu chão”, acrescenta Manuel José Marques.
O pároco da Unidade Pastoral de Reguengos de Monsaraz confidencia que muitas pessoas se deram conta, apenas agora, que “precisamos uns dos outros e de alguém nos levante por dentro. E só Deus pode fazer isso, não é?”
O sacerdote passa agora o dia em contatos telefónicos, procurando chegar ao maior número de pessoas que estão confinadas em casa. Nos dois lares da Igreja, a gestão também é feita por telefone, tendo reduzido a sua presença ao mínimo possível para a sua própria segurança e dos utentes. Apesar de todos os cuidados, Manuel José Marques já foi sujeito a dois testes, ambos negativos. Confessa que, apesar de sair menos de casa, têm menos tempo para fazer o que gosta, como ler um livro ou até pintar.
Na mensagem que considera importante passar, sai um recado para a Segurança Social: “A pandemia veio dizer-nos que a Segurança Social tem de falar ao Governo das instituições, e não às instituições das determinações do Governo. Nós queremos apenas que a Segurança Social seja o interlocutor que faz chegar ao Governo, as dificuldades e os problemas, desde os problemas económicos, até aos problemas de segurança das instituições que são enormes”.
Aos habitantes do concelho alentejano, deixa palavras de encorajamento: “Vale a pena termos um sentimento positivo, de alegria e de esperança, pois se as perdermos ficamos caídos no chão. Não! Nós vamo-nos levantar. Temos capacidade e coragem para tal. Por favor, vamos sair de casa, vamos beber um café, vamos até à porta da vizinha saber como ela está, vamos telefonar a quem precisa, isso é importante.”
Ao país, o padre quer dizer que “estamos bem”, apesar das notícias da televisão não darem essa perspetiva. “Há pessoas que não querem cá vir fornecer as lojas ou que levemos os nossos produtos para outros concelhos”, revela. A esses, Manuel José Marques, diz, “não tenham medo, nós estamos bem, apesar de termos algumas pessoas doentes, mas essas estão confinadas e vigiadas”, convidando os portugueses a “vir passar férias a Reguengos, pois não há nenhum problema de contágio neste momento, portanto, venham tranquilos”.
Uma mensagem que apela à esperança e à responsabilidade de todos, para que “Reguengos continue a ser uma terra de sol, de gente boa e acolhedora, e com vontade de vencer. Reguengos é uma terra de gente feliz”, conclui o sacerdote.

 

Texto: Rosário Silva
Leia a entrevista na íntegra em: rr.sapo.pt

 

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