Símbolos da JMJ na Arquidiocese: Mensagem do Arcebispo de Évora

SÍMBOLOS DA J. M. J. NA ARQUIDIOCESE DE ÉVORA

Mensagem do Arcebispo

Reverendos Presbíteros, estimados Diáconos, caros cristãos e amados jovens saúdo-vos com a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo na alegria de sermos Sua Igreja nas nossas terras Alentejanas e Ribatejanas.

É com a maior alegria, e gratidão à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que recebemos os Símbolos da Jornada Mundial da Juventude, a decorrer, querendo Deus, em Lisboa no próximo ano de 2023 de 1 a 6 de agosto. Eis-nos de coração aberto e disponível a receber e levar os símbolos da JMJ a todos.

  1. A Direcção da Pastoral e Eventos Centrais, propõe-nos um itinerário de aprofundamento da Fé a partir do verbo “levantar-se”: «jovem eu te digo, levanta-te!» (Lc 7, 14); «Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste!» (Act 26, 16); «Maria levantou-se e partiu apressadamente!» (Lc 1, 39). Rezo para que neste mês de janeiro, previsivelmente preocupante devido à evolução da pandemia Covid-19, consigamos valorizar a qualidade dos nossos encontros para superar o melhor possível aquilo que a distância protetora nos vai exigir e impor. Apesar de todas as limitações previsíveis, exorto-vos a viver este Tempo de Graça com a Alegria Cristã fundamentada na certeza que o Senhor Jesus está connosco. Assim, aliemos a nossa Esperança e Confiança ao cumprimento rigoroso das normas de segurança emanados pelas autoridades competentes: a Conferência Episcopal Portuguesa e a Direcção Geral da Saúde.

Sejam Bem Vindos os Símbolos da J.M.J.! Eles são para nós sinal de comunhão com o Papa, a Igreja Universal e todos os jovens do mundo.  Vamos dar o nosso melhor e fazer o possível para que a sua presença desperte em todos, sinal de paz e solidariedade.

  1. Nas “Orientações Pastorais para a Celebração da JMJ nas Igrejas Particulares”, Vaticano 2021, o Papa Francisco reafirmou que as Jornadas Mundiais da Juventude constituem um impulso missionário de extraordinária força para toda a Igreja e, em particular, para as novas gerações. Poucos meses após a sua eleição, inaugurou o seu pontificado com a JMJ do Rio de Janeiro em julho de 2013, ao término da qual disse que aquela JMJ tinha sido: «uma nova etapa na peregrinação dos jovens através dos continentes com a Cruz de Cristo. Nunca podemos esquecer – explicou – que as Jornadas Mundiais da Juventude não são ‘fogos de artifício’, momentos de entusiasmo com a finalidade em si mesmos; trata-se de etapas de um longo caminho, encetado em 1985, por iniciativa do Papa João Paulo II».E depois esclareceu um ponto central: «Recordemos sempre: os jovens não seguem o Papa, seguem Jesus Cristo, carregando a sua Cruz. E o Papa guia-os e acompanha-os ao longo deste caminho de fé e de esperança».[1]
  2. Apoiando-me nas decisivas formações sinodais que o Padre Rossano Sala, SDB, trouxe a Portugal por iniciativa da Comissão Episcopal do Laicado e Família, utilizo a sua publicação “Acompanhar os jovens” editada em Portugal com o apoio de D. Nuno Almeida, Bispo Auxiliar de Braga.

Diz o Padre Rossano Sala que o ponto central da Pastoral Juvenil é partirmos da certeza de que Deus está presente e operante na vida dos jovens. Deus ama os jovens, Jesus nunca se afasta deles, o Espírito Santo atua na sua vida. Como o Papa Francisco nos convida a fazer, defendamo-nos da grande tentação: elaborar uma lista de desastres, de defeitos da juventude atual. Não é este o caminho, pois os jovens têm necessidade antes de tudo de pessoas que tenham confiança neles, que saibam identificar as sementes de bem presentes na sua vida, que procurem, sem descanso, os espaços de escuta e de diálogo com eles. No fundo, pessoas cujo olhar seja o olhar de Deus.

Para a obra “Acompanhar os jovens”, o problema muitas vezes não são os jovens, mas somos nós: adultos muito ‘adulterados’ e muito ‘adultescentes’, por isso insignificantes; cristãos demasiado diluídos, muito pós-cristãos e pouco discípulos de Jesus; Igreja demasiado aparelho burocrático, capaz de dizer a todos o que devem fazer, mas pouco família de Deus em condições de caminhar com alegria, reconhecendo antes de tudo as próprias fragilidades. Tantos jovens se afastaram de nós adultos, de nós cristãos, de nós Igreja porque não entraram em contacto com uma santidade viva, com uma vida boa, bela e verdadeira. E, portanto, atraente e fascinante. A clarividência de quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens consiste em encontrar a pequena chama que continua a arder, a cana que parece quebrar-se (cf. Is 42, 3) mas ainda não partiu. É a capacidade de identificar percursos onde outros só vêm muros, é saber reconhecer possibilidades onde outros só vêm perigos e dificuldades. Assim é o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e nutrir os germes de bem semeados no coração dos jovens. Por isso o coração de cada jovem deve ser considerado «terra sagrada», diante da qual nos devemos «descalçar» para poder aproximar-nos e penetrar no Mistério (Christus vivit, nn 66-67).

  1. A disponibilidade para o acompanhamento é a atitude fundamental da reforma e conversão pastoral que, segundo o Papa Francisco, torna as comunidades cristãs sinodais e samaritanas, ou seja, “Igreja em saída”, decididamente missionárias.

Porém, escolher a via do acompanhamento, como perspetiva fundamental da acção pastoral, comporta uma conversão de mentalidade e de metodologia. O Papa Francisco ensina-nos que: «A Igreja deverá iniciar os seus membros – sacerdotes, religiosos e leigos – nesta ‘arte do acompanhamento’, para que todos aprendam a descalçar sempre as sandálias diante da terra sagrada (cf. Ex 3, 5). Devemos dar ao nosso caminhar o ritmo salutar da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que ao mesmo tempo cure, liberte e anime a amadurecer na vida cristã» (EG 169).

Segundo as “Orientações pastorais para a celebração da JMJ nas Igrejas particulares”, p. 29: «É necessário ter a coragem de envolver e confiar papéis ativos aos jovens, tanto aqueles que vêm das diferentes realidades pastorais presentes na diocese quanto aqueles que não pertencem a nenhuma comunidade, grupo de jovens, associação ou movimento. A JMJ diocesana/paroquial pode ser uma bela oportunidade para destacar a riqueza da Igreja local, evitando que os jovens menos presentes e menos “ativos” nas estruturas pastorais estabelecidas se sintam excluídos. Todos devem se sentir “convidados especiais”, todos devem se sentir esperados e bem-vindos, em sua singularidade irrepetível e riqueza humana e espiritual. O evento diocesano/paroquial, portanto, pode ser uma ocasião propicia para estimular e acolher todos aqueles jovens que talvez estejam procurando o seu lugar na Igreja, e ainda não o encontraram».

Entrego ao coração de cada jovem, aos movimentos e grupos eclesiais de jovens, o êxito pastoral desta peregrinação missionária, desta convocatória comprometedora dos Símbolos da JMJ à Arquidiocese de Évora. Que no SIM de Maria, reforcemos a nossa audácia, criatividade, empreendedorismo e fidelidade. Rezo convosco e acompanho-vos em cada momento com a disponibilidade possível. Contai comigo! Eu conto com a unidade de todos os jovens, sem exceção.

 

+ Francisco José Senra Coelho

Arcebispo de Évora

[1] Francisco, Angelus in “Insegnamenti” I, 2 (2013) p. 155

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